A saída da SuperVia da operação dos trens do Rio deixou um passivo de bilhões de reais, segundo denúncia do presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Dionísio Lins (Progressistas). O parlamentar afirma que a maior dívida é de R$ 1,9 bilhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além de débitos com fornecedores ligados diretamente ao funcionamento do sistema ferroviário.
Segundo Lins, somente em maio, os valores devidos a fornecedores diretos se aproximavam de R$ 15 milhões. Entre os serviços atingidos estariam manutenção de vagões, fabricação e fornecimento de peças, sinalização e outras atividades necessárias à operação ferroviária.
O parlamentar relaciona esse passivo às dificuldades que podem ser enfrentadas na manutenção do sistema após a troca de operadora. A SuperVia encerrou a concessão depois de 27 anos à frente dos trens metropolitanos. A operação passou para a Trens Rio, administrada pelo consórcio Nova Via Mobilidade.
Dívidas e manutenção
Para o presidente da Comissão de Transportes, é necessário acompanhar como as pendências deixadas pela antiga concessionária poderão repercutir na continuidade dos serviços prestados por fornecedores.
“Essa falta de pagamento aos fornecedores já pode ser observada nos equipamentos que não estão em funcionamento. Se o fornecedor não recebe, ele não entrega a peça e não faz manutenção; e quem acaba pagando a conta é o trabalhador”, afirma Dionísio.
As escadas rolantes das estações estão entre os problemas que levaram a comissão a intensificar a fiscalização. Após reclamações de passageiros, o colegiado encaminhou um requerimento de informações à Trens Rio, estabelecendo prazo de 15 dias para a concessionária prestar esclarecimentos.
A comissão quer saber quantas escadas rolantes estão atualmente fora de funcionamento, qual empresa é responsável pela manutenção, o valor do contrato e quais medidas estão sendo adotadas para acelerar os reparos. Também foram solicitadas informações sobre os procedimentos de vistoria e manutenção preventiva.
MPRJ poderá ser acionado
Dionísio afirma que, caso a Trens Rio não apresente as informações solicitadas dentro do prazo, pretende encaminhar o caso ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), para que o órgão avalie eventuais medidas relacionadas ao cumprimento das obrigações contratuais e à transparência na prestação do serviço.
“Não dá mais para ficarmos vendo diariamente pessoas idosas e com dificuldade de mobilidade sofrerem para embarcarem nas estações. É desumano o que o usuário vem passando em estações como Madureira e Méier, onde as escadas simplesmente não funcionam”, afirma.
Segurança nas estações
Além das dívidas e dos problemas de manutenção, a Comissão de Transportes acompanha a situação de segurança na malha ferroviária. Segundo informações da Trens Rio citadas por Lins, cerca de 14 estações estariam em áreas afetadas pela atuação do crime organizado, enquanto os trilhos atravessam 179 comunidades sob influência desses grupos.
“Tenho certeza de que a administração estadual está atenta à situação e que irá intervir quando necessário. Mas não vamos aceitar que o passageiro seja penalizado duas vezes: pela violência e pelo descaso com o serviço”, concluiu Dionísio.







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