Super El Niño preocupa autoridades e pode provocar eventos extremos no Brasil

Fenômeno climático pode ser o mais intenso da história recente, com risco de secas, enchentes, ondas de calor e queimadas; Cemaden alerta governo Lula sobre impactos no segundo semestre

Meteorologistas internacionais e órgãos brasileiros de monitoramento climático acenderam um sinal de alerta para a possível formação de um “super El Niño” nos próximos meses. O fenômeno, associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, pode provocar impactos severos no clima do Brasil e em diversas regiões do planeta.

A preocupação ganhou força após o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) enviar uma nota técnica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertando para os riscos climáticos previstos para o segundo semestre de 2026. O documento foi encaminhado à Casa Civil e ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Segundo o órgão, os dados atuais já apontam um aquecimento acelerado na superfície do Pacífico, condição considerada favorável para o desenvolvimento de um El Niño de grande intensidade nos próximos meses.

Cemaden alerta governo para impactos climáticos extremos

O Cemaden destacou que o fenômeno poderá ampliar a ocorrência de eventos extremos em várias regiões do país, incluindo estiagens severas, chuvas intensas e aumento das temperaturas médias.

Entre as principais preocupações estão os riscos de enchentes no Sul do Brasil, agravamento da seca na Amazônia e no Nordeste, além da possibilidade de ondas de calor mais prolongadas no Sudeste e Centro-Oeste.

O órgão também sugeriu ações preventivas ao governo federal, especialmente nas áreas de defesa civil, monitoramento ambiental, gestão hídrica e prevenção de queimadas.

A nota técnica reforça ainda a necessidade de integração entre estados e municípios para minimizar os efeitos de possíveis desastres naturais ao longo dos próximos meses.

NOAA prevê alta probabilidade de formação do fenômeno

As projeções internacionais também aumentaram o nível de preocupação. A NOAA, agência nacional de meteorologia dos Estados Unidos, informou em seu boletim mais recente que existe 82% de probabilidade de formação do El Niño entre o fim de maio e julho.

Os modelos climáticos apontam ainda mais de 50% de chance de o fenômeno atingir níveis classificados como “intensos” ou “muito intensos” entre setembro e novembro deste ano.

Especialistas avaliam que o episódio pode superar o histórico “Super El Niño” registrado entre 1997 e 1998, considerado um dos mais fortes já observados.

Fenômeno pode ser agravado pelo aquecimento global

O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico equatorial. Tradicionalmente, ele ocorre em intervalos de dois a sete anos e costuma durar entre nove e doze meses.

No entanto, cientistas alertam que as mudanças climáticas vêm intensificando os efeitos do fenômeno. O aumento das temperaturas globais favorece eventos meteorológicos mais extremos e amplia os impactos sobre diferentes regiões do planeta.

O último episódio de El Niño contribuiu para que 2023 e 2024 fossem registrados entre os anos mais quentes da história recente da Terra.

Para o meteorologista Zeke Hausfather, do instituto Berkeley Earth, a tendência é de que os próximos anos continuem registrando temperaturas recordes em função da combinação entre o aquecimento global e o novo ciclo climático.

Brasil pode enfrentar seca, calor intenso e chuvas volumosas

Os impactos do El Niño variam conforme a região do Brasil. Na Amazônia e no Nordeste, o fenômeno costuma provocar redução das chuvas e agravamento da seca.

Já na região Sul, a tendência é de aumento das precipitações, elevando o risco de temporais, enchentes e deslizamentos de terra.

No Sudeste, especialistas indicam possibilidade de inverno menos rigoroso e períodos mais frequentes de calor acima da média histórica.

O excesso de calor também pode favorecer queimadas em diversas áreas do país, especialmente em regiões já afetadas por estiagem prolongada.

Outros países também monitoram riscos climáticos

Os impactos do super El Niño devem ser sentidos em várias partes do mundo. Na Indonésia, há previsão de secas severas, enquanto o Peru poderá enfrentar chuvas torrenciais.

Nos Estados Unidos, meteorologistas projetam um verão com temperaturas acima da média e maior frequência de tempestades.

Apesar disso, especialistas avaliam que o fenômeno pode reduzir a intensidade da temporada de furacões no Atlântico, devido ao excesso de calor concentrado no Oceano Pacífico.

O pesquisador Theodore Keeping, do Imperial College London, alertou que o cenário também aumenta significativamente o risco de incêndios florestais extremos em diferentes regiões do planeta.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading