No final da sessão desta terça-feira (2) no Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres buscou afastar as acusações de envolvimento na trama golpista de 2022. Após a fala do advogado Eumar Novacki, o presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, decidiu suspender os trabalhos, que serão retomados nesta quarta-feira.
Torres, que também ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal durante os ataques de 8 de janeiro de 2023, é apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como parte do núcleo da organização criminosa.
PGR sustenta que Torres forjou data de viagem aos EUA
A acusação sustenta que ele teria forjado a data de compra de uma passagem para os Estados Unidos, apresentando a viagem como programada meses antes, quando, segundo a PGR, teria sido decidida de última hora para fugir das responsabilidades no dia dos atos que depredaram os prédios dos Três Poderes.
Na tribuna, o advogado Eumar Novacki rechaçou a versão apresentada pelo Ministério Público. “A isenção é o que se espera dessa Corte, que eu sempre defenderei. Não há democracia sem instituições fortes e independentes. Esse julgamento não se confunde com vingança, trata-se de justiça. Não se pede benevolência, mas aplicação firme da lei e do direito”, afirmou. Ele classificou como “linchamento moral” a forma como a PGR sustentou a denúncia.
” Viagem de férias comprada com antecedência”
Para reforçar sua tese, a defesa anexou aos autos comprovantes emitidos pela companhia aérea Gol e reservas de aluguel de veículo que, segundo Novacki, comprovam a compra das passagens em 21 de novembro de 2022. “Foi uma tentativa de levar os julgadores a erro. O Ministério Público tinha consciência que toda a sua tese acusatória se baseava numa ausência deliberada, uma espécie de fuga para os Estados Unidos. Nós conseguimos comprovar que, na verdade, era uma viagem de férias programada com muita antecedência”, disse o advogado.
A narrativa também foi sustentada por testemunhas. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), declarou em depoimento que foi informado sobre a viagem ainda quando convidou Torres para reassumir a Secretaria de Segurança Pública. “A viagem foi planejada com antecedência, de maneira pública e regular, motivada por razões exclusivamente familiares”, reiteraram os defensores.
Com a suspensão da sessão, os ministros do STF devem retomar nesta quarta-feira (3) a análise do caso de Torres, em meio ao julgamento que envolve também o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados.






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