STF mantém prisão de investigada da Operação Robgol e investigação sobre lavagem de R$ 34 milhões

Ministro Cristiano Zanin rejeita pedido da defesa e confirma andamento do processo contra acusada apontada como integrante de organização ligada ao tráfico de drogas

A investigação que revelou um suposto esquema milionário de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas no Rio e em São Paulo vai continua avançando na Justiça. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o recurso apresentado pela defesa de Viviane Isabel Nascimento, uma das investigadas no caso, e manteve a prisão preventiva dela, além de confirmar a continuidade da ação penal decorrente da Operação Robgol.

Na decisão, Zanin acompanhou o entendimento já adotado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), afastando pedidos de anulação do processo e de revogação da prisão. Segundo o ministro, não ficou comprovado que a defesa tenha sofrido prejuízo capaz de invalidar os atos já realizados pela Justiça.

O que foi a Operação Robgol

A Operação Robgol foi deflagrada em maio de 2021 pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), com apoio da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal, para desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico de drogas e na lavagem de dinheiro no Sul Fluminense.

Na primeira fase da operação, agentes cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em Barra Mansa e outras localidades ligadas a 15 integrantes do grupo investigado. Ao todo, cinco pessoas foram presas, além da apreensão de aproximadamente 50 quilos de cocaína e cinco veículos.

O nome da operação faz referência ao apelido do líder da organização criminosa investigada, conhecido como “Robgol”, que à época estava foragido juntamente com sua companheira.

De acordo com as investigações, o grupo utilizava uma sofisticada rede de movimentação financeira para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas. Os investigadores apontaram a utilização de pessoas físicas, empresas e depósitos em dinheiro vivo para esconder a origem dos valores movimentados.

Esquema teria movimentado mais de R$ 34 milhões

Segundo o processo, a organização criminosa teria movimentado mais de R$ 34,6 milhões em operações destinadas a ocultar recursos supostamente obtidos com atividades ilícitas.

As investigações apontam que o grupo possuía uma estrutura organizada, atuação em diferentes estados e ligação com integrantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).

O dinheiro seria pulverizado por meio de contas bancárias de terceiros e empresas utilizadas para dificultar o rastreamento dos recursos pelas autoridades.

Segunda fase bloqueou R$ 35 milhões

Em 2022, o Ministério Público e a Polícia Civil deflagraram a segunda fase da Operação Robgol, ampliando as investigações para o Rio de Janeiro e São Paulo.

Na ocasião, foram cumpridos mandados em Volta Redonda, Taubaté, São José dos Campos e Mogi das Cruzes. Sete pessoas foram presas durante a ação.

Entre os detidos estava Jabes Lopes Emerick Júnior, apontado pelas investigações como gerente do tráfico de drogas da organização.

As equipes apreenderam celulares, máquinas de contar dinheiro e valores em espécie. Também foi determinado pela Justiça o arresto de R$ 35 milhões vinculados a empresas suspeitas de serem utilizadas para lavagem de dinheiro do tráfico.

Segundo o Ministério Público, a investigação identificou uma rede de cooperação entre grupos criminosos que atuavam no Rio de Janeiro e em São Paulo, envolvendo distribuição de drogas, movimentação financeira e ocultação de patrimônio.

O que alegava a defesa

Ao recorrer ao STF, a defesa de Viviane sustentou que o processo deveria ser anulado porque os advogados não teriam tido acesso completo a todas as provas produzidas durante a investigação.

Os defensores argumentaram que documentos oriundos de interceptações telefônicas e análises bancárias e fiscais permaneceram sob sigilo durante parte importante da tramitação processual.

Também alegaram que o material digital fornecido pela acusação estaria incompleto e questionaram a validade de uma conversa de WhatsApp utilizada nas investigações.

Com isso, pediram a anulação de atos processuais, a reabertura da fase de produção de provas e a revogação da prisão preventiva.

Por que o STF manteve a prisão

Ao analisar o recurso, Cristiano Zanin concluiu que os argumentos apresentados não justificavam a revisão das decisões já tomadas pelas instâncias inferiores.

O ministro destacou que a questão relacionada ao acesso às provas já havia sido examinada anteriormente pela Justiça e que não foi demonstrado prejuízo concreto à defesa.

Outro ponto considerado relevante foi a condição de foragida atribuída à investigada. Segundo a decisão, essa circunstância reforça a necessidade da manutenção da prisão preventiva para garantir o andamento regular do processo.

Zanin também citou a gravidade dos fatos investigados, ressaltando que o grupo seria dotado de estrutura complexa, atuação interestadual, grande número de participantes e movimentação milionária de recursos supostamente ligados ao tráfico de drogas.

Discussão sobre mensagens de WhatsApp ficou de fora

A defesa ainda pretendia que o STF analisasse a suposta irregularidade envolvendo uma conversa de WhatsApp utilizada na investigação.

No entanto, o ministro entendeu que esse tema ainda não havia sido examinado de forma definitiva pelas instâncias anteriores e, por isso, não poderia ser apreciado naquele momento pelo Supremo.

Com a decisão do STF, permanecem válidos todos os atos processuais realizados até agora na ação penal da Operação Robgol.

Na prática, o Supremo manteve integralmente o entendimento do STJ, preservando o andamento do processo, rejeitando a anulação das provas questionadas pela defesa e mantendo a prisão preventiva de Viviane Isabel Nascimento enquanto a ação continua tramitando na Justiça.

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