A audiência realizada nesta terça-feira (30) no Supremo Tribunal Federal (STF), que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, foi marcada por divergências entre a delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo e o juiz auxiliar Carlos Vieira Von Adamek, responsável pelo apoio ao ministro Dias Toffoli, relator do caso.
O encontro, iniciado às 14h, reuniu depoimentos de investigados e autoridades ligadas ao sistema financeiro e ainda se estendia até o início da noite. As discordâncias surgiram logo no início da sessão, tanto sobre o formato dos depoimentos quanto sobre a condução dos questionamentos.
A audiência integra o conjunto de investigações que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, alvo de apurações da Polícia Federal e do Banco Central.
Divergência sobre acareação marcou o início da sessão
A primeira discordância ocorreu em torno da realização de uma acareação — confronto direto de versões entre investigados. Segundo a delegada Janaína Palazzo, a determinação formal do ministro Dias Toffoli previa esse procedimento na sessão desta terça-feira.
Embora a assessoria do STF tenha informado que o relator teria mudado de entendimento, autorizando a tomada de depoimentos e deixando a decisão sobre a acareação a critério da PF, não houve despacho oficial confirmando a alteração. Diante disso, a delegada defendeu o cumprimento da orientação que constava formalmente no processo.
Para resolver o impasse, o juiz auxiliar Carlos Vieira Von Adamek entrou em contato telefônico com o ministro Dias Toffoli, que autorizou que os depoimentos fossem colhidos antes de qualquer eventual acareação.
Perguntas atribuídas a Toffoli geram novo conflito
O segundo momento de tensão ocorreu quando Adamek apresentou à delegada uma lista de perguntas que deveriam ser feitas durante o interrogatório. Palazzo reagiu afirmando que a condução do depoimento caberia exclusivamente à Polícia Federal, e não ao Supremo Tribunal Federal.
Diante do novo impasse, o juiz auxiliar voltou a ligar para Toffoli. Segundo relatos de pessoas presentes, o ministro determinou que as perguntas fossem feitas como se partissem dele próprio, o que elevou o tom da discussão entre os representantes do Judiciário e da PF.
Interlocutores afirmam que Adamek apresentou os questionamentos como uma “sugestão”, sem interferir diretamente no conteúdo final das perguntas feitas pela delegada.
Críticas sobre possível inversão da ordem jurídica
Para pessoas envolvidas no processo, a participação direta do ministro na formulação das perguntas levanta questionamentos sobre uma possível inversão da ordem jurídica, ao aproximar o relator da função de investigador, papel tradicionalmente atribuído à Polícia Federal e ao Ministério Público.
No STF, esse tipo de atuação já foi alvo de críticas em outros inquéritos, como os conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes. Agora, avaliação semelhante tem sido feita em relação à condução do caso envolvendo o Banco Master sob relatoria de Dias Toffoli.
Como revelou o jornal O Globo e confirmou o Estadão, a lista de perguntas incluía questionamentos ao banqueiro Daniel Vorcaro sobre sua avaliação da atuação do Banco Central no processo de liquidação do banco. Auxiliares de Toffoli, no entanto, sustentam que a iniciativa de abordar o tema teria partido da própria delegada.
Depoimentos e pedido negado do Banco Central
Daniel Vorcaro já prestou depoimento na audiência, seguido pelo ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, foi o último convocado e permaneceu aguardando para falar na sede do STF, o que está fazendo nesse momento.
O Banco Central chegou a solicitar que o depoimento fosse feito por videoconferência, mas o pedido foi negado pela Corte. A justificativa foi a realização presencial dos depoimentos de Vorcaro e do ex-presidente do BRB, mantendo o mesmo formato para todos os envolvidos.






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