Solo de bairro em Maceió pode desabar a qualquer momento e engolir área do tamanho do Maracanã

O bairro do Mutange, em Maceió, capital de Alagoas, está em alerta máximo por causa do risco de colapso do solo, que pode abrir uma cratera de até 300 metros de diâmetro, equivalente ao estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. A previsão era que o desabamento ocorresse no começo da manhã desta sexta-feira (1),…

O bairro do Mutange, em Maceió, capital de Alagoas, está em alerta máximo por causa do risco de colapso do solo, que pode abrir uma cratera de até 300 metros de diâmetro, equivalente ao estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. A previsão era que o desabamento ocorresse no começo da manhã desta sexta-feira (1), mas isso não aconteceu. No entanto, técnicos afirmam que isso é só questão de tempo.

Nas últimas 48 horas, foi registrado um afundamento de 1 metro e 6 centímetros do solo. Antes, esse afundamento era de 50 cm por dia. O aumento de 3 cm para cada 24 horas foi considerado uma aceleração da movimentação.

Mais de 14 mil imóveis já foram desocupados na região desde que o problema começou, em 2018. Cinco bairros são afetados pelo risco de afundamento pela extração de sal-gema pela Braskem: além do Mutange, Bom Parto e Bebedouro, as áreas de Pinheiro e Farol.

O problema é causado por uma das minas de sal-gema da indústria petroquímica Braskem, que criou espécies de “ocos” no subterrâneo, que foram preenchidos com um líquido em vazamento.

Por conta do risco imediato de colapso, moradores tiveram de deixar suas casas por decisão judicial e até um hospital foi evacuado. A Defesa Civil de Alagoas calcula que o tamanho da cratera após o desabamento será de até 300 metros de diâmetro, que caberia o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. No momento do colapso, são previstos tremores de terra na região, mas isso não deve provocar estragos nas construções ao redor, segundo as autoridades.

A Defesa Civil também proibiu a navegação na Lagoa Mundaú, mas não há risco de tsunami, conforme informou o tenente-coronel Moisés Melo, do Corpo de Bombeiros. Mas ele alerta sobre o afundamento: “É só questão de tempo”.

A Defesa Civil de Maceió mantém o alerta de rompimento da mina 18 desde a última quarta-feira (30/11). Uma das previsões era de que o desabamento fosse ocorrer às 23h de quinta. No entanto, um novo prazo foi estimado pela Defesa Civil de Maceió, apontando que a ruptura poderia ocorrer por volta das 6h da manhã desta sexta, o que não se confirmou.

Vários bairros da capital alagoana estão isolados devido aos danos ao subsolo causados pela mineração da Braskem, e uma região específica, no bairro do Mutange, se tornou um problema crítico esta semana.       

O problema em torno do afundamento na região em que estão localizadas 35 minas de sal-gema da Braskem veio à tona em março de 2018, quando um forte tremor atingiu a área. 

O risco iminente de formação de crateras levou à saída emergencial de cerca de 55 mil pessoas da área. O problema, constatado por órgãos da esfera municipal, estadual e federal, se relaciona a minas de sal-gema da petroquímica Braskem exploradas no subsolo da área urbana da capital do estado.

O sal-gema é retirado de rochas a cerca de mil metros da superfície. Pode ser utilizado normalmente na cozinha, mas seu uso é importante em vários processos industriais, como, por exemplo, na produção de PVC e soda cáustica

Em 2002, a Braskem começou a cavar minas na região, com anuência das autoridades locais. A mineração na região só foi paralisada em março de 2019, após ter sido confirmada a relação com o afundamento.

Com informações do Metrópoles

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