Soldados da PM de São Paulo postam vídeo exaltando massacre de Carandiru, quando 111 presos foram mortos (Veja vídeo)

Bolsonaro concedeu um indulto aos condenados em novembro de 2022. O ministro Luiz Fux determinou que Justiça de São Paulo retome julgamento sobre o indulto, mantendo a questão ainda em aberto

Um vídeo postado em rede social mostra um grupo de policiais militares comemorando o massacre do Carandiru e enaltecendo o coronel Ubiratan Guimarães, comandante da operação que deixou 111 presos mortos na Casa de Detenção, zona norte de São Paulo, em 2 de outubro de 1992.

A Polícia Militar informou que “o vídeo não era do conhecimento da instituição. A corporação acrescentou que as imagens sugerem, em análise inicial, uma ação isolada de um grupo de alunos de curso de formação de soldados, inclusive sem a presença de instrutores”.

Os soldados aparecem em uma roda batendo palmas e cantando refrões que glorificam a violência durante o Massacre do Carandiru, comparando o presídio a um cenário de guerra. 

O massacre gerou repercussão mundial e foi manchete em diversos importantes jornais do mundo. No poder judiciário foram condenados 74 policiais militares a penas que variavam de 48 a 624 anos de prisão. 

Porém, o então presidente da República, Jair Bolsonaro, concedeu um indulto aos condenados em novembro de 2022. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF),  Luiz Fux, determinou que a Justiça de São Paulo retome o julgamento sobre o indulto, mantendo a questão ainda em aberto. 

De acordo com entidades ligadas aos direitos humanos, em outubro de 1992, 66% dos presos da Casa de Detenção foram condenados por roubo e 8% por casos de homicídio. Já 80% das vítimas do massacre eram prisioneiros provisórios, sem condenação.

A PM acrescentou também “que desaprova por completo o conteúdo do vídeo, e que o CPChoque (Comando de Policiamento de Choque) já determinou a imediata investigação do caso”. Neste sábado (6), o ouvidor das Polícias, Cláudio Silva, informou que abriu procedimento para apurar o caso. Ele classificou de “absurdo” o ato dos PMs.

As imagens mostram os soldados do Choque formando uma roda, batendo palmas e gritando “Cavalaria”, em referência ao Regimento 9 de Julho, a polícia montada, da PM. Um dos soldados puxa o canto e os demais repetem os refrões dele.

Os PMs também exaltam o Choque, dizendo, em forma de rima, que em 2 de outubro de 1992 “se apresentou o 1º Batalhão, aquele que acalmou a Casa de Detenção”. A unidade citada no cântico é a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).  

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