Fictor tem recuperação judicial aprovada e será monitorada por auditoria independente

Decisão da Justiça de São Paulo prevê fiscalização da PricewaterhouseCoopers e suspensão de cobranças por 180 dias

A Justiça de São Paulo deferiu o pedido de recuperação judicial da Fictor, incluindo as empresas Fictor Holding e Fictor Invest, em decisão proferida na noite desta sexta-feira. A medida ocorre após liminar concedida em fevereiro, que já havia suspendido ações de cobrança contra o grupo enquanto sua situação financeira era analisada.

Com dívidas estimadas em R$ 4,2 bilhões, a companhia terá prazo de 60 dias para apresentar um plano de reestruturação. A decisão foi assinada pela juíza Fernanda Perez Jacomini, que considerou que a documentação apresentada atende aos requisitos legais para o processamento da recuperação.

Monitoramento e suspeitas sob análise

Apesar do deferimento, a magistrada determinou a nomeação de um agente de monitoramento para acompanhar de perto as atividades financeiras da empresa. A função será exercida pela PricewaterhouseCoopers, que deverá apresentar o primeiro relatório em até 15 dias. A administradora judicial do processo seguirá sendo a Laspro Consultores.

A juíza destacou que inconsistências documentais e indícios de possíveis fraudes, apontados por credores e relatórios técnicos, serão apurados ao longo do processo. Segundo ela, a supervisão rigorosa é necessária para garantir transparência e proteção aos credores.

Impacto para credores e mercado

Ao todo, a Fictor possui 13.041 credores, sendo a maioria pessoas físicas. Esse número chama atenção por se aproximar do registrado em grandes recuperações judiciais do país. Desse total, 11.549 são investidores individuais, que somam R$ 2,54 bilhões a receber.

Grande parte desses investidores foi atraída por promessas de rendimentos fixos de até 2% ao mês, superiores aos oferecidos por instituições financeiras tradicionais. Dados apontam que São Paulo concentra o maior número de credores, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Crise de confiança e retirada de recursos

A empresa enfrentou uma crise de reputação após anunciar, em novembro do ano passado, uma proposta de compra do banco Master. Desde então, houve retirada de aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos, agravando sua situação financeira.

Na decisão, a juíza ressaltou que negar o pedido poderia levar à insolvência imediata do grupo, prejudicando ainda mais os credores. Com a recuperação judicial em andamento, ficam suspensas por 180 dias todas as ações e execuções contra as empresas envolvidas.

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