‘Situação excede a capacidade do Estado’, admite porta-voz da PM sobre guerra entre facções no Rio

Tenente-coronel Cláudia Moraes pede apoio das forças federais para conter a violência nos complexos da Pedreira e do Chapadão, onde confronto deixou quatro mortos

A madrugada desta segunda-feira (27) foi marcada por intensa troca de tiros entre criminosos dos complexos da Pedreira e do Chapadão, na Zona Norte do Rio. O confronto entre integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) e do Comando Vermelho (CV) deixou dois moradores e dois suspeitos mortos, segundo a Polícia Militar. A situação, classificada como crítica pela corporação, provocou medo e correria entre os moradores das comunidades.

“Excede a capacidade do Estado do Rio de Janeiro”
Em entrevista à Rádio CBN, a porta-voz da PM, tenente-coronel Cláudia Moraes, afirmou que a guerra entre facções “excede a capacidade do Estado do Rio de Janeiro” e defendeu uma integração mais efetiva entre as forças estaduais e federais.
— Não interprete mal a minha fala. As forças de segurança vêm trabalhando duramente todos os dias. Mas essa situação de confronto entre facções criminosas vai além do que o Estado consegue enfrentar sozinho — disse a oficial.

Integração e combate ao tráfico de armas
Cláudia ressaltou que a PM atua diariamente em operações para reduzir roubos e apreender armamentos de alto calibre, mas destacou que a origem das armas e drogas precisa ser atacada em nível nacional.
— Esses fuzis e entorpecentes não são produzidos aqui. Eles entram por fronteiras e chegam ao Rio. Estamos combatendo o efeito, mas é preciso combater a causa — afirmou.

A tenente-coronel também destacou o trabalho do 41º BPM (Irajá), responsável pelo policiamento na região. Segundo ela, o batalhão é o que mais apreende fuzis no estado — o que, em suas palavras, “não é motivo de orgulho”.
— A gente apreende muito porque há muito em circulação. Esse é um alerta para o país. Pernambuco apreendeu 18 fuzis em todo o ano; nós apreendemos isso em uma semana — comparou.

Morte de moradora durante tiroteio
Durante o confronto, a moradora Marli Macedo dos Santos, de 60 anos, foi morta após ter sua casa invadida por um traficante do CV. Ela foi atingida por tiros disparados por criminosos rivais do TCP. A PM conseguiu negociar a rendição do suspeito, mas Marli já estava ferida e morreu no local.
— O caso da dona Marli mostra o quanto os criminosos usam a população como escudo humano. Eles se infiltram em residências e até em unidades de saúde para escapar do confronto — lamentou Cláudia.

Ocupação reforçada e UPA sob proteção de blindado
A PM mantém policiamento reforçado e ocupação por tempo indeterminado nos acessos às comunidades da Pedreira e do Chapadão. A reabertura da UPA de Costa Barros, fechada por um mês devido à insegurança, exigiu até mesmo a presença de um blindado na porta.
— Precisamos de um blindado para garantir o funcionamento de uma unidade de saúde. Isso não é normalidade — destacou a porta-voz.

Proximidade entre as comunidades intensifica guerra
A tenente-coronel explicou que a curta distância entre os dois complexos facilita o avanço dos criminosos de uma área para outra.
— É uma tentativa de domínio territorial. De um lado, o Chapadão; do outro, a Pedreira. Eles se enfrentam por poucos metros, e isso aumenta o risco para quem vive ali. Enfrentar esse cenário exige mais do que o esforço da Polícia Militar — concluiu.

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