Serafini quer incluir plano de cargos da Uenf em pacote do Propag

Deputado afirma que não há mais justificativa para adiar implementação do PCV após fim do regime de recuperação fiscal

A pressão pela implementação do Plano de Cargos e Vencimentos (PCV) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) ganhou novo fôlego após audiência pública da Comissão de Servidores da Assembleia Legislativa (Alerj), realizada na quinta-feira (11).

O presidente do colegiado, deputado Flávio Serafini (Psol), anunciou que vai articular para que o governo envie uma mensagem à Casa com a proposta de implantação do plano junto com o projeto de adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

Segundo a reitoria, há quatro anos a universidade tenta aprovar o PCV junto ao Conselho de Supervisão do Regime de Recuperação Fiscal do Estado (Comissarf-RJ), que exige como contrapartida a redução do quadro de servidores — medida considerada inviável. Para Serafini, o impasse perdeu sentido.

“No fim deste ano o governo sairá do regime de recuperação para aderir ao Propag. A mensagem precisa estar na Casa junto dessa adesão ou antes”, avaliou.

Salários defasados e perda de professores

Com 32 anos de existência, a Uenf foi criada dentro de um projeto inovador que exigia dedicação exclusiva e doutorado de todos os docentes, associando produção científica ao desenvolvimento regional. Nos últimos anos, porém, a universidade vem sofrendo com a falta de recomposição salarial e a perda de quadros qualificados.

Desde 2014, os servidores não tiveram reajuste, acumulando perdas superiores a 50%. Professores têm relatado dificuldades financeiras, com casos em que o piso salarial fica abaixo do mínimo nacional, o que levou muitos a pedirem exoneração.

“Já são mais de 50% de perdas acumuladas, e com dedicação exclusiva os professores não podem ter outra fonte de renda. Hoje, os salários da Uenf estão entre os mais baixos do Sudeste”, disse Serafini.

A reitora Rosana Rodrigues reforçou que a efetivação do plano representa uma reparação histórica. “Não se trata apenas de recomposição salarial, mas de valorização da instituição e dos servidores que a construíram”, afirmou.

Pressão política e próximos passos

Na audiência, foi definido que até outubro a reitoria seguirá tentando negociar com o Comissarf. Caso não haja avanço, a interlocução passará a ser feita diretamente com o governo e a Comissão de Servidores da Alerj. Para Serafini, o governo não pode mais adiar a decisão.

“Nesses quatro anos o governo já encaminhou várias vantagens para várias categorias com impacto financeiro muito maior do que o da Uenf. Isso mostra que a decisão é política. Como o governo está saindo do regime, ele não pode mais usar esse bode expiatório. Agora a página está virada e não aceitamos mais enrolação”, advertiu.

Representantes do Executivo participaram da audiência e reconheceram a demanda, mas ressaltaram os limites fiscais. O subsecretário da Casa Civil, Alexandre Meyohas, disse que os cálculos estão sendo refeitos para contemplar ativos, inativos e aposentados. Já o subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Diego Braga, afirmou que o governo estuda uma implementação gradual.

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