Seleção brasileira de flag football afasta cinco atletas após vazamento de mensagens misóginas

Caso envolve supostas ofensas contra mulheres, ameaças e comentários depreciativos; crise atinge modalidade às vésperas do Mundial e da estreia olímpica em 2028

Cinco atletas da seleção brasileira de flag football foram afastados após o vazamento de mensagens atribuídas a integrantes da equipe masculina. O conteúdo, que circulou nas redes sociais e chegou à Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), contém comentários considerados misóginos, ofensivos e depreciativos direcionados a atletas da seleção feminina e profissionais ligadas à modalidade.

Os jogadores citados são João Pedro Chermont, Vitor Paiva, Nicolas Quadro, Matheus Duarte de Oliveira, conhecido como “Viza”, e Felipe Aymoré. Todos eram titulares da seleção nacional e participavam regularmente das convocações da equipe.

O episódio ganhou repercussão em um momento delicado para o esporte, que se prepara para disputar o Campeonato Mundial de Flag Football, marcado para agosto, em Düsseldorf, na Alemanha, além de viver a expectativa da estreia olímpica nos Jogos de Los Angeles 2028.

Como o caso veio à tona

Segundo informações divulgadas, as conversas teriam sido expostas após uma suposta descoberta de traição envolvendo um dos atletas. De acordo com relatos, a então namorada do jogador teria encontrado não apenas evidências do relacionamento extraconjugal, mas também registros das mensagens trocadas no grupo.

As mensagens reveladas apresentam ofensas dirigidas a diversas mulheres ligadas ao esporte. Entre os conteúdos divulgados há insultos, termos pejorativos e comentários considerados discriminatórios contra atletas, integrantes da comissão técnica e dirigentes da modalidade.

Após a repercussão do caso, os perfis dos atletas envolvidos deixaram de estar disponíveis nas redes sociais.

Mensagens causam indignação

Entre os trechos divulgados estão comentários violentos e ofensivos sobre mulheres ligadas ao flag football. As conversas também fazem referência a situações envolvendo futuras viagens e mencionam nomes de atletas e dirigentes da modalidade.

Em um dos diálogos revelados, integrantes do grupo fazem comentários sobre uma casa noturna em Florianópolis. Em outro trecho, há uma lista de mulheres acompanhada de uma frase sugerindo que elas deveriam ser eliminadas da convivência do grupo.

Entre as pessoas mencionadas nas mensagens está a vice-presidente da CBFA, Rakel Barros. A presidente da entidade, Cris Kajiwara, também aparece como alvo de comentários depreciativos.

Relato de agressão amplia repercussão

Uma ex-namorada de um dos atletas citados afirmou ter sido vítima de agressão em uma ocasião passada. Segundo seu relato, ela teria sido desencorajada a tornar o episódio público por receio da repercussão e da imagem positiva atribuída ao jogador no meio esportivo.

Trechos das conversas divulgadas mostram o atleta comentando com colegas sobre o temor de que a situação viesse à tona. Nas mensagens, ele afirma ter pedido desculpas por um episódio em que teria machucado a ex-companheira.

O caso ampliou ainda mais o debate sobre comportamento, respeito às mulheres e responsabilidade dos atletas dentro e fora das competições.

CBFA mantém sigilo sobre investigação

Procurada para comentar o episódio, a presidente da Confederação Brasileira de Futebol Americano optou por não conceder entrevistas. A entidade informou apenas que eventuais procedimentos relacionados ao caso estão sendo conduzidos sob sigilo.

Em nota oficial, a CBFA afirmou que não irá comentar, confirmar ou detalhar informações enquanto os processos internos estiverem em andamento. A entidade também destacou que a divulgação indevida de informações protegidas por sigilo poderá gerar responsabilização.

Até o momento, a confederação não divulgou prazo para conclusão das apurações.

Clubes anunciam afastamentos preventivos

A repercussão do caso levou equipes ligadas aos atletas a adotarem medidas imediatas. O Brasília Pilots, que possui atletas da seleção feminina em seu elenco, publicou manifestação defendendo o respeito às mulheres e repudiando qualquer forma de discriminação ou violência no esporte.

O Vasco Almirantes, equipe pela qual atuam Vitor Paiva e João Pedro Chermont, informou oficialmente o afastamento dos jogadores envolvidos enquanto o caso é apurado.

Já o Flag Kings, clube de Matheus Duarte de Oliveira, anunciou a suspensão preventiva do atleta e afirmou que seguirá integralmente as determinações estabelecidas pela CBFA durante o andamento das investigações.

Flag football vive momento histórico

A crise ocorre justamente em uma das fases mais importantes da história do flag football no Brasil. A modalidade, derivada do futebol americano e caracterizada pela ausência de contato físico intenso, vem registrando crescimento de praticantes e visibilidade internacional.

No flag football, os defensores interrompem as jogadas retirando fitas presas à cintura do adversário, substituindo os tradicionais tackles do futebol americano.

O esporte foi confirmado como uma das modalidades dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, marco considerado histórico para atletas e dirigentes que trabalham pela expansão da prática em todo o mundo.

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