Seis dias depois de receber o apoio de Romeu Zema (Novo) no segundo turno das eleições de Belo Horizonte, o deputado estadual Bruno Engler (PL) se votou contra o governador na Assembleia de Minas Gerais. Ele chegou a registrar um voto contrário ao veto do governador a um projeto que revê o subsídio de servidores públicos do estado nesta quarta-feira (23). Após apenas cinco parlamentares se manifestarem, a votação foi cancelada.
Integrante da base de governo, esta não é a primeira vez que Bruno Engler se posiciona contra a gestão. Os votos divergentes dos interesses de Zema, inclusive, atrapalharam a possibilidade de o parlamentar ter seu apoio ainda no primeiro turno, quando Mauro Tramonte (Republicanos) foi o escolhido pelo governador.
Em outubro do ano passado, Engler foi retirado da vice-liderança de governo após votar contra a alíquota adicional de 2% no ICMS de produtos considerados “supérfluos”. A proposta foi alvo de críticas dentro e fora do Parlamento por ter aumentado a tributação de itens como cerveja e smartphone, mas foi aprovada por 31 votos a 27.
O passado de entraves, contudo, foi deixado de lado na quinta-feira passada, quando Zema anunciou seu apoio ao candidato. A oficialização ocorreu durante a inauguração de um tomógrafo em Sete Lagoas, no interior do estado.
— Nós tivemos ontem junto e meu apoio é ao candidato Bruno Engler, que tem uma proposta mais semelhante à minha. O que Bruno Engler quer para Belo Horizonte é um secretariado técnico. O Bruno é um jovem que tem um grande potencial e pode somar muito para o desenvolvimento. Eu tenho manifestado o meu apoio a ele para que Belo Horizonte seja uma cidade com mais inovação — disse o governador.
Apesar de estar com Engler, Zema não é esperado em suas agendas nesta semana. A postura de distanciamento repete o primeiro turno, quando também não embarcou na campanha de Tramonte. A decisão tem como pano de fundo a relação na Assembleia Legislativa, onde o PSD do prefeito Fuad Noman é o maior partido de sua base, com dez cadeiras.
Oficialmente com uma bancada de 57 dos 77 deputados estaduais, Zema tem uma relação conturbada com o Legislativo no estado, entre tropeços e traições. O bloco de apoio é dividido em duas alas: uma coesa e fiel, com 33 parlamentares, e a segunda com 24 cadeiras de nove partidos diferentes. O PSD, por ora, integra o grupo mais fiel.
Com informações de O Globo.





