Zema evita campanha de rua de candidato do PL e fechamento de acordo a vítimas da tragédia de Mariana é usado como desculpa

‘Se o Bruno precisar de alguma coisa, estaremos aqui para ajudar…Mas estamos fora de Belo Horizonte, em Brasília, até sexta-feira’, disse o vice-governador Mateus Simões

A campanha de seu apoiado, o deputado estadual Bruno Engler (PL), à prefeitura de Belo Horizonte, não deverá contar com a presença do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Assim como fez no primeiro turno, com o candidato derrotado Mauro Tramonte (Republicanos), Zema não deve marcar presença em agendas de rua do candidato.

Segundo o vice-governador Mateus Simões (Novo), o motivo da ausência é o acordo de repactuação de Mariana, que vai determinar os valores de indenização que as mineradoras Vale e BHP devem pagar pelo rompimento da barragem em novembro de 2015. A expectativa do governo é de que esta decisão saia ainda nesta semana, motivo pelo qual Simões e Zema fazem reuniões em Brasília.

A pressão ocorre após o início do julgamento da ação coletiva movida por 620 mil pessoas atingidas contra a empresa anglo-australiana BHP em Londres.

 — Acho que não vamos ter agenda, nem eu nem o governador, porque estamos priorizando o fechamento de Mariana. Se Bruno precisar de alguma coisa, estaremos aqui para ajudar… Mas estamos fora de Belo Horizonte, em Brasília, até sexta-feira — disse Simões.

O vice-governador minimiza o impacto da ausência na campanha de Engler, afirmando que o deputado prioriza as redes sociais. Os dois políticos já gravaram vídeos de apoio para o candidato.

— É um tipo de campanha que a participação de rua não é tão importante. Ele (Bruno Engler) sempre foi mais de redes e isso já cobrimos — finalizou o vice-governador.

Enquanto Simões já dá como certa a ausência, articuladores de Bruno Engler ainda nutrem a esperança de ter o governador no palanque entre sexta-feira e sábado. O núcleo em volta do candidato ainda diz que Zema não está próximo por estar ajudando outros candidatos apoiados pelo Partido Novo em outros estados do país: o governador cumpriu agendas em Goiás e Mato Grosso, mas antes de oficializar o apoio a Engler.

Entre versões conflitantes, nos bastidores há quem diga que o “apoio morno” do governador a Engler é uma forma de não desagradar tanto o PSD, que é o maior partido de sua base na Assembleia Legislativa, e tem a candidatura de reeleição do prefeito Fuad Noman. A migração para o palanque de Engler incomodou a sigla.

Contudo, no primeiro turno das eleições a postura de distanciamento foi a mesma. O candidato apoiado foi o deputado estadual Mauro Tramonte (Republicanos), que terminou em terceiro lugar na disputa. Oficialmente, a justificativa para sua ausência teria sido uma escolha da campanha de Tramonte, que já contava com o apoio explícito de um adversário do governador, o ex-prefeito Alexandre Kalil.

O apoio de Zema ao bolsonarista foi formalizado na última quinta-feira, em coletiva de imprensa durante a inauguração de um tomógrafo em Sete Lagoas, no interior do estado. O anúncio pegou de surpresa até mesmo a campanha de Engler, que esperava a oficialização apenas no dia seguinte.

— Nós tivemos ontem junto e meu apoio é ao candidato Bruno Engler, que tem uma proposta mais semelhante à minha. O que Bruno Engler quer para Belo Horizonte é um secretariado técnico. O Bruno é um jovem que tem um grande potencial e pode somar muito para o desenvolvimento. Eu tenho manifestado o meu apoio a ele para que Belo Horizonte seja uma cidade com mais inovação — declarou o governador.

Além de Belo Horizonte, o governador também está envolvido no segundo turno de outro município — Uberaba, no Triângulo Mineiro. Ele se engajou a favor da reeleição da prefeita Elisa Araújo (PSD), mas também não fez agendas com ela nesta reta final. No primeiro turno, contudo, tanto Zema quanto Simões fizeram caminhadas com a candidata.

O contexto do município também diverge da capital mineira. Em Uberaba, a vitória de Elisa é dada como certa por articuladores, enquanto em Belo Horizonte Fuad está à frente de Engler nas pesquisas. Segundo a última Quaest, divulgada na semana passada, o prefeito tem 46% das intenções de voto contra 37% do bolsonarista.

Com informações de O Globo.

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