A segurança pública ocupou o centro do discurso de Eduardo Paes durante encontro com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no Centro. O tema também aparece no topo das preocupações do setor produtivo em um documento elaborado pela entidade e entregue ao candidato ao governo do estado.
No encontro “Discussões sobre o Rio que queremos”, Paes apresentou propostas para diferentes áreas, mas deu destaque ao combate à criminalidade. Segundo ele, a recuperação do estado exige gestão, comando e “autoridade moral”, além de mudanças na condução da política de segurança pública.
“O que faz a diferença é a capacidade de fazer e de entregar. É ter autoridade para isso. O Rio já correu muito risco. A minha candidatura significa a mudança com previsibilidade”, afirmou Paes. O candidato citou ainda sua experiência à frente da Prefeitura do Rio e defendeu maior capacidade de coordenação do governo estadual.
Segurança preocupa empresários
Durante o evento, o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, entregou a Paes a publicação “Propostas para um Rio de Futuro”. Elaborado após consulta a mais de 500 empresários fluminenses, o documento reúne 45 propostas destinadas ao próximo governo estadual.
As sugestões estão organizadas em oito eixos: Segurança Pública, Energia, Infraestrutura, Sistema Tributário, Reformas Estruturantes, ESG, Fomento ao Negócio e Capital Humano. Entre eles, a segurança aparece como uma das principais preocupações apontadas pelo empresariado.
De acordo com a Firjan, dois em cada três empresários consultados afirmaram que a insegurança interfere nas decisões empresariais e aumenta despesas, inclusive com a contratação de segurança privada. A federação estima que os problemas relacionados à violência provoquem um custo adicional de R$ 31,1 bilhões no estado.
Paes propõe presídios e retomada de territórios
Ao abordar diretamente o problema, Paes defendeu que a segurança pública seja tratada como uma política de Estado e criticou o que classificou como politização das forças de segurança. Entre as propostas apresentadas estão a criação de presídios de segurança máxima e a abertura de 20 mil vagas no sistema penitenciário.
“Precisamos de ações efetivas na segurança pública. Eu faço uma leitura atenta de todos os estudos que a Firjan produz. O que levou ao que estamos vivendo hoje foi uma politização das forças de segurança. É preciso tirar os políticos da segurança pública, que deve ser uma política de Estado”, declarou.
O candidato também defendeu uma atuação orientada por dados, evidências e manchas criminais, além de mudanças na distribuição do efetivo policial. Segundo Paes, a retomada de áreas dominadas por grupos criminosos deve estar entre as prioridades da administração estadual.
“Uma política pública de segurança orientada por dados, evidências e manchas criminais. Isso serve para o patrulhamento e policiamento ostensivo. Uma distribuição melhor do efetivo. Ter a retomada do território como algo fundamental”, acrescentou.
Firjan aponta entraves bilionários
A segurança integra um conjunto mais amplo de obstáculos identificados pela Firjan para o desenvolvimento econômico fluminense. No estudo “Custo Rio”, a federação calcula que entraves estruturais gerem quase R$ 275 bilhões em custos anuais às empresas instaladas no estado, montante equivalente a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) fluminense.
Em outro levantamento, “Rio de Futuro: vocações e potencialidades econômicas do Rio de Janeiro”, a Firjan identificou nove novas fronteiras econômicas que, segundo suas projeções, poderiam gerar quase 700 mil empregos em dez anos e acrescentar R$ 210 bilhões ao PIB industrial do estado.







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