Secretário da PM admite erro em operação que resultou na morte de jovem no Santo Amaro

Coronel Marcelo Menezes reconhece falhas de planejamento e diz que ação não seguiu protocolos de risco e preservação da vida

O secretário da Polícia Militar do Rio de Janeiro, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, reconheceu nesta segunda-feira (10) que houve falhas no planejamento da operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) realizada na madrugada do último domingo no Morro Santo Amaro, no Catete, Zona Sul do Rio. A ação ocorreu enquanto moradores participavam de uma festa junina na comunidade. Herus Guimarães Mendes, de 23 anos, foi baleado no abdômen e morreu. Outros cinco moradores ficaram feridos.

Segundo Menezes, a operação emergencial teria sido deflagrada com base em uma denúncia sobre a movimentação de homens armados que planejavam atacar rivais na região. No entanto, ele admitiu que a ação desrespeitou normas básicas da corporação, incluindo protocolos de avaliação de risco e proteção à vida.

— Eu vou citar aqui alguns requisitos. Primeiro requisito: avaliação de risco. Que tipo de impacto a nossa operação vai causar naquela comunidade? Segundo requisito: princípio da oportunidade. O dia em que aquela operação vai ser realizada, o horário em que aquela operação vai ser realizada, se está havendo algum evento na comunidade. E o principal requisito: que é a preservação das vidas. O bem maior a ser protegido é a vida das pessoas. E a gente pode observar que esses requisitos não foram contemplados nessa operação emergencial — afirmou o secretário em entrevista ao Bom Dia Rio, telejornal da TV Globo.

Imagens sob análise e reavaliação do protocolo

De acordo com Menezes, todas as equipes que participaram da operação utilizavam câmeras corporais. As imagens começarão a ser analisadas pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro a partir desta segunda-feira. O secretário enfatizou que, embora não haja condenação prévia dos agentes envolvidos, a apuração será rigorosa.

— Obviamente que a disponibilização das imagens vai elucidar, para que a gente entenda, de como essa operação foi desencadeada, como ela se desenvolveu. Obviamente que não há condenação prévia dos policiais. Mas a gente vai fazer uma apuração firme e transparente — disse.

Ele também afirmou que o protocolo para ações emergenciais passará por revisão. A expectativa é que os laudos de perícia sobre o local da ação e as armas dos policiais, além do conteúdo das câmeras, subsidiem a responsabilização dos envolvidos.

— As investigações vão fazer com que a gente entenda o que ocorreu naquela madrugada, entenda como foi a execução daquela operação, as perícias realizadas no local, nas armas dos policiais serão juntadas aos autos e vão subsidiar as nossas conclusões e a resposta que a sociedade merece neste momento.

O que diz a família de Herus

De acordo com o pai do jovem morto, Fernando Guimarães, Herus estava na festa com os pais e outros familiares quando a ação do Bope teve início, por volta das 3h30 da madrugada. Segundo ele, os policiais chegaram atirando, sem aviso.

— A gente estava na festa, cheia de crianças. Eles entraram dando tiro, sem motivo algum. Meu filho tinha acabado de sair para comprar um lanche. Graças a Deus o filho dele não estava presente. O tiro atingiu o baço. Ele chegou a ser reanimado no hospital, mas não resistiu. Era trabalhador, sem ficha criminal, pagava pensão. Infelizmente, não vai voltar. Hoje ele é mais um. Mas as autoridades precisam explicar o que estavam fazendo no morro naquele horário. Quem autorizou essa operação?

Parentes da vítima afirmam ainda que Herus foi arrastado ferido por uma escada pelos agentes e que houve truculência no tratamento da família no local.

Protesto e disparo de policial civil

No domingo à tarde, moradores do Morro Santo Amaro protestaram contra a morte de Herus, bloqueando a Rua Pedro Américo, próxima à comunidade. Durante o ato, um policial civil, que estava de folga, disparou uma arma de fogo e foi preso em flagrante.

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil (CGPOL) informou em nota que o agente responderá a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). “A Polícia Civil reforça que não compactua com quaisquer desvios de conduta, cometimento de crimes ou de abuso de autoridade praticados por seus servidores”, afirmou a corporação.

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