Secretaria de Segurança pede prioridade à perícia para esclarecer de onde partiu tiro que matou passageiro de ônibus na Av. Brasil

Trajetória do tiro é importante para determinar se a bala foi disparada por traficantes ou pela polícia e para confirmar se houve ordem de Peixão para que seus homens atirassem a esmo

A perícia da Polícia Civil recebeu um pedido da Secretaria de Segurança Pública do Rio para priorizar a investigação de onde partiu o tiro que atingiu o passageiro Renato Oliveira, de 48 anos, enquanto o ônibus em que ele viajava passava pela Avenida Brasil, na altura da Cidade Alta.

Na região, dominada pelo traficante Álvaro Malaquias, o Peixão, houve intenso tiroteio na manhã desta quinta-feira (24). A trajetória do tiro é importante para determinar se a bala foi disparada por traficantes ou pela polícia e para confirmar se houve uma ordem de Peixão para que seus homens atirassem a esmo em veículos que transitavam pela via expressa.

Caso essa segunda hipótese seja confirmada, uma fonte da secretaria afirmou ao blog que será caracterizado terrorismo por parte do líder do bando do Complexo de Israel. As informações são de Vera Araújo, do Globo, em sua coluna Segredos do Crime.

A vítima foi atingida na cabeça por uma bala perdida enquanto estava no ônibus da linha 493B (Ponto Chic-Central), que atravessava o fogo cruzado. Segundo a fonte da Secretaria de Segurança, a posição dos traficantes do Complexo de Israel e dos policiais militares é crucial para que as forças de segurança possam adotar novas estratégias, como fechar vias expressas e recuar com os agentes. Pelo ângulo do projétil que atingiu Oliveira, os peritos poderão determinar se os criminosos se aproximaram do nível da Avenida Brasil para atirar a esmo.

Nem mesmo no último dia 10, quando a Polícia Civil descobriu o “resort” de Peixão em Parada de Lucas— que contava com dois imóveis amplos, uma espécie de praia artificial com areia, mar e coqueiros, além de academia, piscina, sauna e até pedalinhos — houve reação dos criminosos semelhante à de hoje.

Essa mesma área já havia sido descoberta há cerca de um ano por policiais do 16º BPM (Olaria) e interditada. No entanto, um político teria solicitado ao então comandante que liberasse o local para a criação de um projeto social. A área foi liberada, e Peixão retomou seu espaço de lazer.

Dada a reação considerada atípica de Peixão contra a operação do 16º BPM (Olaria) nas favelas Cinco Bocas, Pica-Pau e Cidade Alta, em Cordovil, que compõem o Complexo de Israel, existe a hipótese de que o traficante tenha acreditado que os policiais estavam atuando em favor do Comando Vermelho.

Informações indicam que, por volta das 4h da manhã, alguém de dentro dos blindados teria gritado que se tratava do “bando do Urso”. Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, comanda o tráfico na Vila Cruzeiro, na Penha, pelo Comando Vermelho (CV), grupo rival da quadrilha de Peixão. Entretanto, de acordo com a Polícia Militar, a operação tinha como objetivo prender criminosos envolvidos no roubo de carros e cargas na região.

— O que me faz duvidar dessa versão é o fato de Peixão ter ordenado que seus homens descessem até a Avenida Brasil para atirar contra a população. Se ele acreditasse que se tratava de um ataque do grupo rival, teria concentrado todas as suas forças contra os ‘invasores’ — afirmou a fonte da Secretaria de Segurança Pública.

Assim que o confronto começou na Cidade Alta, um grupo de policiais militares ficou encurralado na comunidade. Somente após a chegada do reforço de mais dois batalhões, eles conseguiram sair.

Para evitar a comunicação dentro da favela, Peixão bloqueou o sinal da internet, o que impediu que moradores avisassem seus patrões sobre atrasos ou ausência no trabalho. Na região, Peixão também proíbe o uso de linhas telefônicas fixas.

Com informações de O Globo.  

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