Ao menos 9 pessoas foram baleadas ou agredidas por traficantes em 2024 ao entrarem por engano na Cidade Alta, favela do Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Na última quinta-feira (16), um motorista de aplicativo e uma passageira foram rendidos por traficantes da comunidade após terem que mudar o caminho por causa de uma barricada colocada pelo tráfico na rua.
Neste caso, ninguém foi baleado. No entanto, em outros episódios, pessoas que estavam em veículos de aplicativos ou em carros próprios e entraram por engano na favela não tiveram a mesma sorte. Ou foram baleadas, mortas ou estão desaparecidas.
Dois casos ocorreram na mesma via, a Estrada do Porto Velho. Em novembro de 2024, um policial militar de São Paulo e seu irmão acabaram baleados.
As vítimas seguiam o caminho indicado pelo GPS e foram atingidas na perna, ao serem alvos de disparos de bandidos. Na ocasião, o irmão do PM estava no Rio para acompanhar o G20. Eles reagiram, e um dos suspeitos pelo crime acabou preso, após ficar ferido e dar entrada em um hospital.
Em maio, Fernanda Batista Sales, de 43 anos, foi baleada na mesma estrada. Ela chegou a ser hospitalizada e recebeu alta.
Policiais penais escaparam
No mesmo mês, 3 policiais penais de Minas Gerais foram baleados ao entrarem por engano em um dos acessos da comunidade da Cidade Alta.
Os agentes estavam realizando a escolta de dois presos que seriam transferidos para o presídio de Benfica, segundo a Polícia Militar. Eles chegaram a trocar tiros com os traficantes e ficaram feridos, mas puderam voltar para casa após receberam alta médica.
Desaparecido
Em abril do ano passado, Stanley Pinheiro Fernandes Leite, 19, e outros dois amigos, entraram por engano na região, foram agredidos e extorquidos pelos criminosos. Duas vítimas foram liberadas. No entanto, o jovem Stanley não foi liberado.
O rapaz é filho de um sargento da Polícia Militar e, ao vasculharem o celular dele, bandidos descobriram que ele mora próximo ao Complexo do Chapadão, dominado por uma facção rival. As hipóteses são de que esses podem ter sido os motivos para ele ter sido mantido refém pelos traficantes.
Risco em vias expressas
Não é só quem entra por engano nas ruas de uma das favelas do Complexo de Israel que corre risco de vida. Quem passa pelas vias expressas que contornam o conjunto de favelas também pode acabar alvo de tiros de fuzil.
Em outubro do ano passado, três pessoas morreram e duas foram feridas após bandidos do Complexo de Israel atirarem contra a Avenida Brasil durante uma operação policial na região.
O traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, chefe do tráfico no Complexo de Israel, é alvo de uma investigação que apura se ele cometeu terrorismo na ocasião dos três trabalhadores mortos e dois feridos.
Os cinco baleados estavam em veículos que passavam por vias expressas do Rio. As vítimas estavam em um ônibus, um carro de aplicativo e em um caminhão.
Com medo dos tiros, outros motoristas e passageiros buscaram proteção nas muretas. Vídeos mostram várias pessoas jogadas ao asfalto e também abaixadas em ônibus.
Quem é o traficante Peixão
Todo o complexo é dominado pela facção Terceiro Comando Puro (TCP). O chefe da organização criminosa é Peixão.
Ele tem mais de 30 anotações criminais, entre elas, tráfico de drogas, homicídios, tortura, sequestros e roubo de cargas.
Segundo a polícia, Peixão determinou a instalação de câmeras nas comunidades, mandou construir pontes entre as favelas e é condenado pela Justiça por ordenar a destruição de templos religiosos de matriz africana.
Com informações do g1.
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