‘Se depender de mim, não tem outra medida fiscal’, garante Lula, descartando novas ações para corte de gastos

Presidente reafirma compromisso com equilíbrio das contas públicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (30) que a economia brasileira registrou um déficit primário de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, valor próximo à meta fiscal de equilíbrio prevista pelo governo. Durante conversa com jornalistas no Palácio do Planalto, Lula reforçou a importância da responsabilidade fiscal, mas descartou a adoção de novas medidas para ajustar as contas públicas.

— O que aconteceu com déficit? 0,1% [do PIB] é zero. E vai ser assim. Tenho muita responsabilidade — declarou o presidente.

Lula também enfatizou que o governo busca reduzir o déficit sem comprometer investimentos essenciais:

— A gente quer responsabilidade fiscal e menor déficit possível porque quer que esse país dê certo. Se fizer dívida, é para ativo novo que faça esse país melhor.

O governo federal ainda não divulgou oficialmente o resultado fiscal de 2024, o que deve ocorrer nas próximas semanas. No entanto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, já indicaram que a meta foi cumprida. O arcabouço fiscal permite um déficit de até 0,25% do PIB, dentro de uma margem de tolerância.

Apesar de economistas do governo avaliarem novas medidas para 2025, Lula foi enfático ao dizer que, sob sua decisão, não haverá mudanças adicionais:

— Não tem outra medida fiscal. Se se apresentar durante o ano a necessidade de fazer, vamos reunir. Se depender de mim, não tem outra medida fiscal — assegurou.

Haddad disse que corte de gastos é processo contínuo

A declaração do presidente diverge de posições defendidas por membros da equipe econômica. Na semana passada, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, admitiu que o governo avalia alternativas para atingir as metas fiscais de 2025. Já Haddad declarou em dezembro que o corte de gastos é um processo contínuo no governo.

Lula também defendeu seu ministro da Fazenda, criticado por setores do mercado financeiro e por lideranças políticas, como o presidente do PSD, Gilberto Kassab.

— As pessoas deveriam pedir desculpa ao Haddad. Mas não pedem. Porque as pessoas que falam coisas erradas não têm humildade de falar “erramos” — afirmou o petista.

Ao final da entrevista, Lula voltou a tratar do déficit fiscal e mencionou os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul no primeiro semestre de 2024. Ele destacou que, sem a tragédia, o país poderia ter alcançado superávit.

— Não existiu rombo fiscal. No governo passado, houve rombo fiscal de quase 2,6%. No nosso, não houve. Aliás, se não fosse [as enchentes no] Rio Grande do Sul, nós teríamos feito superávit — afirmou.

O presidente ressaltou ainda que já comandou um superávit de 4,25% durante seus mandatos anteriores, mas disse que não aceitará sacrificar a população mais pobre para atender aos interesses do mercado.

— O que eu não posso é levar o povo mais humilde a um sacrifício para contemplar os interesses de menos gente. Não vou fazer, e o povo sabe que a estabilidade fiscal é benefício para ele — concluiu.

Com informações do g1

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