Samba-enredo é sorteado para ser o critério de desempate na apuração do Grupo Especial do Rio

Novo regulamento amplia subquesitos e muda lógica de julgamento das escolas na disputa pelo título do Carnaval carioca

A apuração das notas do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro terá mudanças importantes em 2026. Em sorteio no início da tarde desta quarta-feira, o quesito samba-enredo poderá ser usado como critério de desempate entre as escolas e também será o primeiro item a ter as notas lidas na abertura dos envelopes. A leitura ocorrerá nesta tarde, na Cidade do Samba, na Zona Portuária.

A dinâmica seguirá o ritual tradicional: antes da contagem, a Liesa fará sorteios para definir tanto o desempate quanto os jurados cujas notas serão descartadas. Permanecerão 36 notas válidas, com a menor sendo eliminada, mantendo a corrida décimo a décimo que marca a apuração do carnaval carioca.

Uma das principais novidades do regulamento é a divisão dos nove quesitos em 26 subquesitos. Até o ano passado, apenas cinco fundamentos tinham subdivisões e, ainda assim, normalmente restritas a dois aspectos: concepção e realização.

Agora, todos os itens passam a ser avaliados com maior precisão, podendo ter até quatro subdivisões. Entre os novos critérios aparecem termos como “fluência”, “funcionalidade”, “cadência”, “criatividade” e “espontaneidade”. Cada um deles orienta os 54 jurados a observar aspectos específicos do desfile antes de registrar a nota final.

De acordo com o coordenador de jurados da Liga, Thiago Farias, a alteração foi aprovada pelas próprias escolas e acompanha a mudança recente no modelo de julgamento. “O que motivou a subdivisão dos quesitos foi a mudança do método de julgamento, que deixou de ser comparativo e passou a ser fechado no mesmo dia”, explicou.

Julgamento passa a focar erros e não comparação

Desde o último Carnaval, os jurados precisam entregar as notas no fim de cada noite de desfiles, sem esperar que todas as escolas se apresentem. Na prática, isso transforma o julgamento: em vez de comparar quem foi melhor, a análise passa a identificar quem cometeu menos falhas.

A nova lógica busca tornar o processo mais técnico e transparente. Segundo Farias, os subquesitos foram criados para orientar melhor a observação dos jurados e dar mais clareza ao público sobre os critérios. “A entrada desses critérios foi apenas para dar mais explicação para os quesitos. O modelo continua técnico e transparente”, afirmou.

Como os quesitos são avaliados

Os nove quesitos que definem a campeã continuam os mesmos: comissão de frente, bateria, mestre-sala e porta-bandeira, alegorias e adereços, harmonia, fantasias, enredo, evolução e samba-enredo. O que muda é a forma de análise, agora mais detalhada.

O samba-enredo, por exemplo, passa a ser examinado em três dimensões principais: desenvolvimento do enredo, riqueza poética e melódica e funcionalidade — isto é, a capacidade do canto de sustentar o desfile e mobilizar os componentes.

Já a comissão de frente, único quesito com quatro subdivisões, terá avaliação que inclui indumentária, concepção artística, apresentação e criatividade.

Apuração mantém emoção tradicional

Apesar das mudanças técnicas, o formato da apuração segue preservado. As notas continuam sendo anunciadas já somadas, mantendo a tensão da disputa décimo a décimo, característica do carnaval do Rio.

Com o novo sistema, a expectativa da Liga é aumentar a precisão do julgamento e reduzir dúvidas sobre os critérios que definem a campeã da folia na Sambódromo da Marquês de Sapucaí.

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