Em um país em que mais de 50% das famílias oficialmente se consideram “classe média” por terem uma renda mensal acima de R$ 3,4 mil, muita gente pergunta se renda média virou piada ou definição socioeconômica séria. Afinal, se por aqui ganhar R$ 5 mil por mês coloca você na sala da classe média, ainda te deixa muito, mas muito distante da classe mais rica, que tem área VIP reservada para aqueles que tem rendas acima de R$ 27 mil, segundo dados da FGV.
Agora, para ser considerado um super-rico, sente para aguentar o rojão: é preciso ganhar quase R$ 95 mil por mês. Porque quem vive no topo da pirâmide social não só ganha bem, mas precisa bancar expectativas irreais, como o seguro do jatinho ou a manutenção daquela mansão pé na areia num condomínio exclusivo da Bahia.
Enquanto isso, a renda média do trabalhador brasileiro em junho de 2025 bateu a marca de R$ 3.457 mensais. Um valor que agora é celebrado como o maior patamar em mais de uma década. Afinal, fora Bolsonaro, crescemos 3% em relação ao primeiro trimestre do ano e ainda celebramos o desemprego relativamente baixo.

Quantas classes existem e quais as métricas para defini-las?
Instituições como FGV Ibre propõem dividir a população em três grandes faixas de renda de cerca de 70 milhões de pessoas cada: classes baixa, média e alta, o que ajudaria a suavizar distorções e funcionaria como uma bússola melhor para políticas públicas. A classe C seria quem recebe até R$ 880 per capita, enquanto a alta (o terço mais rico) começa a partir de R$ 1.761 per capita. Cuma?
Isso mesmo, parece gozação. Por essa métrica, os super-ricos portanto seriam aqueles que tem renda média mensal per capita a partir de R$ 3.525. Mas, segundo especialistas, isso ignora as profundas desigualdades regionais e o abismo que existe entre os extremos da pirâmide de renda do país, sustentando uma lacuna de diferenças abissais entre as faixas de renda.
Já a Tendências Consultoria utiliza renda familiar total para definir as classes A, B, C, D/E. Segundo esse critério, Classes D e E correspondem a domicílios com até R$ 3.500, classe C vai de R$ 3.400 a R$ 8.100, classe B entre R$ 8.100 e R$ 25.200, e classe A acima de R$ 25.200 mensais.
Outra abordagem, baseada no IBGE, usando salários-mínimos, classifica da seguinte maneira: classe A acima de 20 salários-mínimos (em 2025 com mínimo de R$ 1.518, isso seria mais de R$ 30 mil), classe B entre 10 e 20 salários (entre cerca de R$ 15.180 a R$ 30.360), classe C de 4 a 10 salários (R$ 6.072 a R$ 15.180) e assim por diante.
A renda média do brasileiro melhorou?
Faz o L. Segundo o IBGE, em junho de 2025, a renda média mensal do trabalhador brasileiro alcançou R$ 3.457, o maior nível em mais de dez anos e um crescimento de aproximadamente 3% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior.
Essa alta acompanha a queda do desemprego (6,2% em maio) e o recorde de empregos formais, com mais de 37 milhões de trabalhadores com carteira assinada no país.
A localização geográfica pesa nessa conta?
Tem peso de elefante! O último Mapa da Riqueza da FGV Social, com base em dados de Imposto de Renda, mostra variação drástica entre regiões: no Lago Sul (DF), a renda média por contribuinte é de R$ 39.535, enquanto a renda média do bairro gira em torno dos R$ 23.141.
Por outro lado, nas profundezas do Brasil rural ela mal chega a R$ 71 mensais por pessoa em Ipixuna do Pará — o menor valor entre os municípios com mais de 50 mil habitantes analisados.
Os números da Cidade Partida
O acesso ao Mapa da Riqueza da FGV Social revela um Brasil onde, na capital mais badalada do país, alguns bairros parecem ter sido teleportados para outra galáxia econômica. Na Lagoa, por exemplo, com renda per capita acima de R$ 4.373, propaganda de banco premium parece campanha dos Médicos Sem Fronteiras. Já em favelas da Zona Norte como a Maré, a renda per capita é de cerca de R$ 395 mensais.
Nas margens da Guanabara, a triste ironia é que se você diz que mora “perto da Gávea”, isso já sugere que vive num patamar superior à média nacional. Mas cuidado: “perto” pode se tratar também da Rocinha, e aí a renda per capita cai tanto que chega a ficar mais próxima do valor de um condomínio estilo pombal com mil apartamentos de quarto e sala no fim da Barra.
O Rio é realmente fantástico: um lugar onde diversões e perrengues vivem lado a lado no mesmo quarteirão, e a renda per capita mostra isso com clareza estrondosa.


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