Rodrigo Bacellar: Moraes aponta uso de celular e manda ex-Alerj para presídio federal

Ministro do STF afirmou que o ex-presidente da Alerj continuava tendo acesso a celulares na prisão e mantinha influência sobre integrantes do poder público fluminense, segundo a investigação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (15) a transferência do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, para um presídio federal em Brasília após a investigação apontar que ele continuava tendo acesso a telefones celulares enquanto estava preso no sistema prisional fluminense.

Segundo a decisão, Bacellar também estaria recebendo privilégios na unidade prisional e, por meio dos aparelhos, continuaria exercendo influência sobre integrantes do poder público do estado do Rio de Janeiro. Moraes é o relator do inquérito que apura um suposto esquema de financiamento ilegal de campanhas eleitorais com recursos do jogo do bicho.

Transferência para presídio federal

A transferência foi determinada no âmbito da quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal no início deste mês. Além de Rodrigo Bacellar, também foram alvos de mandados de prisão o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, que já estava preso, e Márcio Pôncio.

Segundo a investigação, a mudança para o sistema penitenciário federal busca impedir que o ex-presidente da Alerj continue tendo contato externo durante a prisão.

Suposto esquema com gráficas

De acordo com a Polícia Federal, o grupo investigado utilizava seis gráficas localizadas na Baixada Fluminense e em São Gonçalo para financiar campanhas eleitorais nas eleições de 2022.

O inquérito aponta que candidatos contratavam material gráfico dessas empresas, mas os pagamentos seriam feitos com recursos da organização ligada ao jogo do bicho, e não pelos próprios políticos.

A principal empresa citada é a Gráfica Editora Completa, que, segundo a investigação, atendeu 73 candidatos durante as eleições de 2022 e movimentou R$ 1,488 milhão, quase integralmente proveniente de recursos dos fundos públicos eleitorais.

As seis empresas foram alvo de buscas na quinta fase da Operação Unha e Carne. Quatro delas já haviam sido investigadas pela Polícia Federal na Operação Smoke Free, realizada em 2022.

Movimentação financeira

As investigações também apontam movimentações financeiras entre empresas ligadas ao bicheiro Adilsinho e os proprietários das gráficas.

Segundo a PF, a Companhia Sulamericana de Tabacos, apontada como pertencente ao contraventor, realizou 47 transferências para a Apel Gráfica e Editora, totalizando R$ 1,82 milhão. O sobrinho de Adilsinho, Bernardo Coutinho Loyola, também teria recebido R$ 300 mil da mesma empresa.

Lista com 61 políticos

Um dos principais elementos da investigação é uma lista apreendida pela Polícia Federal durante a Operação Smoke Free, em 2022, na residência de Adilsinho.

As planilhas continham os nomes de 61 candidatos das eleições daquele ano, além de valores e anotações como “em espécie” e “no banco”. Os registros somam mais de R$ 20 milhões.

A partir desse material, a PF passou a investigar a relação entre as gráficas e os políticos mencionados. Segundo o inquérito, o cruzamento das anotações com as prestações de contas apresentadas à Justiça Eleitoral revelou convergência de informações, reforçando a hipótese de que recursos em dinheiro vivo teriam sido utilizados para financiar campanhas de candidatos que posteriormente atuariam em favor dos interesses da organização criminosa.

A Polícia Federal ressalta que os políticos citados nas planilhas não foram alvo da quinta fase da Operação Unha e Carne e que a investigação segue em fase de cruzamento de dados.

O que dizem as defesas

A defesa de Adilsinho afirmou que o contraventor nega ser o autor das planilhas apreendidas e diz desconhecer a origem e o conteúdo dos documentos. Os advogados também sustentam que ele não possui qualquer vínculo com as gráficas investigadas e que jamais realizou pagamentos a agentes públicos ou políticos.

A defesa de Rodrigo Bacellar informou que não comentará o caso.

Já a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) declarou que não foi oficialmente comunicada sobre a motivação da transferência para o presídio federal. A pasta informou ainda que, durante o período em que Bacellar permaneceu custodiado no sistema prisional fluminense, foram realizadas revistas de rotina e ações da Corregedoria-Geral, sem que qualquer material irregular fosse encontrado.

A defesa de Bernardo Coutinho Loyola afirmou que ainda não teve acesso aos autos e que o cliente desconhece os pagamentos mencionados pela reportagem.

O g1 informou que não conseguiu contato com as seis gráficas citadas na investigação

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