Rio inaugura serviço especializado para diagnosticar autismo em adultos

Unidade estadual na Gamboa atende pessoas de 18 a 65 anos e já recebeu 78 encaminhamentos; avaliação é realizada em oito encontros com equipe multiprofissional

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Adultos que passaram anos convivendo com dificuldades de interação social sem compreender suas causas agora contam com um serviço especializado de diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede estadual de saúde do Rio de Janeiro. Localizada na Gamboa, na região central da capital, a unidade atende pessoas entre 18 e 65 anos que apresentam suspeita de autismo, mas ainda não tiveram o diagnóstico confirmado.

O atendimento é realizado pelo Centro Estadual de Diagnóstico para o Transtorno do Espectro Autista (CedTEA 18+), instalado no Centro Psiquiátrico Rio de Janeiro (CPRJ). Trata-se do primeiro serviço da rede estadual dedicado especificamente à investigação diagnóstica de autismo na população adulta.

Administrado pela Fundação Saúde, vinculada à Secretaria de Estado de Saúde, o centro recebeu 78 encaminhamentos nos três primeiros meses de funcionamento. Os pacientes chegam à unidade por meio dos sistemas municipais de regulação da saúde.

Diagnóstico envolve oito encontros com especialistas

A investigação é conduzida por uma equipe multiprofissional e ocorre ao longo de oito encontros. O processo começa com o acolhimento realizado pela assistência social, responsável por conhecer a trajetória e o contexto de vida do paciente.

Em seguida, são realizadas avaliações que incluem consultas de psiquiatria e neuropsicologia. Os profissionais analisam aspectos cognitivos, comportamentais e clínicos para identificar características compatíveis com o espectro autista.

Segundo a neuropsicóloga Stephanie Duarte, as dificuldades de interação social estão entre as principais queixas apresentadas pelos adultos. A avaliação neuropsicológica utiliza instrumentos padronizados e complementa a análise médica e o histórico do paciente.

Jovens relatam mudanças após avaliação

Entre os pacientes atendidos está Diogo Aguilar, de 20 anos, morador de Paraty, na Costa Verde. Ele procurou o serviço após enfrentar dificuldades de comunicação e situações em que sentia que suas atitudes eram interpretadas de maneira equivocada.

“Não conseguia me comunicar direito com as pessoas e isso começou a me incomodar. Na avaliação, esclareceram questões relacionadas à minha memória e situações em que fui mal interpretado”, relatou.

O jovem afirmou que o atendimento o ajudou a compreender melhor suas experiências. “Agora tenho respostas que sozinho não conseguiria ter. Acho que vai melhorar bastante a minha vida”, acrescentou.

A investigação também pode identificar outras condições do neurodesenvolvimento. Foi o caso de Diego José Torres da Silva, de 18 anos, morador de Japeri, na Baixada Fluminense, que recebeu diagnóstico de deficiência intelectual após a avaliação.

“A vida toda sofri bullying e não entendia por que isso acontecia comigo; não sabia a quem pedir ajuda. Ter o diagnóstico é positivo para que eu possa me tratar de forma correta”, contou o estudante.

Atendimento não inclui tratamento continuado

O CedTEA 18+ atua exclusivamente na investigação diagnóstica. Após a conclusão dos exames e consultas, o paciente é encaminhado de volta ao município de origem para dar continuidade ao acompanhamento na rede local de saúde.

Nos casos de confirmação do autismo, os profissionais também fornecem orientações sobre direitos, benefícios, atendimento prioritário e emissão da carteira de identificação da pessoa com TEA.

O acesso ao serviço ocorre por encaminhamento da regulação municipal, e não por atendimento espontâneo diretamente na unidade.

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