Rio alerta para queda histórica na vacinação e risco de novas doenças

Secretaria Estadual de Saúde cita baixa cobertura vacinal, com índices abaixo da meta e risco de aumento de casos graves de gripe e doenças infantis.

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) voltou a ligar o sinal vermelho para a baixa adesão às vacinas no estado, especialmente contra a gripe e doenças infantis. Os dados divulgados pela própria pasta mostram que o Rio caminha para um dos piores índices de imunização da última década, contrariando metas nacionais e elevando o risco de surtos preveníveis.

Segundo a SES-RJ, após sete meses de campanha de vacinação contra a influenza nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, apenas 40,55% do público-alvo fluminense — formado por idosos, gestantes e crianças — recebeu o imunizante. O índice é significativamente inferior à média nacional dessas regiões, de 52,58%, e muito distante dos 90% recomendados pelo Ministério da Saúde.

A secretária estadual de Saúde, Claudia Mello, fez um apelo público para reverter o cenário. “A vacina Influenza é hoje o melhor antídoto que temos contra a gripe. A baixa procura pelo imunizante pode levar ao aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave e até mesmo à morte”, afirmou. Em 2025, até 1º de dezembro, foram registradas 20.460 internações e 1.654 mortes por SRAG no estado.

Cobertura cai mesmo com histórico de bons índices

O Rio já foi referência em vacinação, mas vive um declínio contínuo. Em 2023, o estado atingiu 45,02% de cobertura da gripe; em 2024, 44,28%; em 2025, apenas 40,55% até agora. A meta deste ano era imunizar 4,39 milhões de pessoas, mas menos da metade — 1,78 milhão — procurou os postos.

A dificuldade de sensibilizar a população tornou-se um desafio estrutural. Para tentar contornar o problema, a SES-RJ tem intensificado reuniões com coordenações municipais de imunização, vigilância epidemiológica e atenção primária, buscando estratégias para aumentar a adesão.

O subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, Mário Sérgio Ribeiro, reforça a preocupação: “A baixa cobertura vacinal, tanto em relação à influenza quanto ao Calendário Nacional de Vacinação, leva ao risco de circulação de doenças que poderiam ser evitadas. É importante que a cobertura vacinal atinja a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde”.

Crianças têm índices ainda mais preocupantes

Embora a BCG — aplicada em recém-nascidos contra formas graves de tuberculose — tenha superado a meta mínima com 93,34% de cobertura, praticamente todas as demais vacinas infantis estão abaixo do esperado.

A hepatite B apresenta 88,46% de cobertura em bebês de até 30 dias e 76,32% em menores de um ano. A DTP aplicou-se a apenas 76,38% das crianças nessa faixa etária. A febre amarela está em 62,22%. A poliomielite injetável soma 75,36%. A Meningo C chegou a 79,42%. A Penta, 76,27%.

Entre vacinas com meta de 90%, índice atual é de 80,40%.

A Pneumo 10, com 83,10%, tem o melhor desempenho entre as vacinas infantis abaixo da meta. “Essa vacina é essencial para proteger contra o pneumococo, bactéria capaz de causar infecções graves nos pulmões e até levar a óbito”, explicou Keli Magno, gerente de Imunização da SES-RJ. Segundo ela, outras vacinas contra o pneumococo também estão disponíveis nas unidades de saúde, como a VPP 23 e a VPC 13, indicadas para grupos específicos de maior vulnerabilidade.

Meta distante também entre crianças de 1 ano

Para crianças de 1 ano, nenhuma das vacinas obrigatórias alcançou o patamar ideal de 95%. A Tríplice Viral chegou a 89,85% na primeira dose, mas despencou para 69,20% na segunda. As demais vacinas — Hepatite A, reforços de DTP, Pneumo 10, pólio injetável, varicela e Meningo C — variam entre 71,09% e 82,27%.

O quadro geral aponta para uma tendência preocupante de perda de confiança e engajamento da população na imunização infantil, o que, segundo especialistas, pode reabrir espaço para doenças antes controladas no país.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading