Relator do processo de inelegibilidade diz que inclusão da minuta do golpe não contraria legislação anterior do TSE

O corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Benedito Gonçalves, afirmou nesta terça-feira (27), ao ler seu voto no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que não é possível fechar os olhos para discursos antidemocráticos com mentiras e discursos violentos. Ele também voltou a defender a inclusão, na ação contra Bolsonaro, da minuta golpista apreendida em janeiro…

O corregedor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Benedito Gonçalves, afirmou nesta terça-feira (27), ao ler seu voto no processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que não é possível fechar os olhos para discursos antidemocráticos com mentiras e discursos violentos.

Ele também voltou a defender a inclusão, na ação contra Bolsonaro, da minuta golpista apreendida em janeiro deste ano na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

Benedito é o relator da ação de inelegibilidade de Bolsonaro por oito anos. Ele começou a detalhar os argumentos para seu voto na noite desta terça, no segundo dia de julgamento do TSE.

“Em razão da grande relevância e da performance discursiva para o discurso eleitoral e para a vida política, não é possível fechar os olhos para os efeitos antidemocráticos de discursos violentos e de mentiras que coloquem em xeque a credibilidade da Justiça Eleitoral”, disse.

“A divulgação de notícias falsas é, em tese, capaz de vulnerar bens jurídicos eleitorais de caráter difuso, desde que sejam efetivamente graves, e assim se amoldem ao conceito de abuso”, completou Benedito.

Depois de Benedito finalizar, será a vez dos outros seis integrantes da corte eleitoral votarem. A expectativa é que a conclusão do julgamento seja na próxima sessão, marcada para as 9h de quinta-feira (29).

A inclusão no processo da minuta apreendida pela PF que tratava da decretação de um estado de defesa após a eleição de Lula é questionada pelos advogados de Bolsonaro.

Benedito disse que a inclusão do documento não contraria a tese firmada no julgamento que absolveu a chapa Dilma Roussef/Michel Temer em 2017. “A admissibilidade do decreto de estado de defesa não confronta, não revoga e não contraria a nossa jurisprudência”, afirmou, repetindo entendimento manifestado anteriormente.

A ação protocolada pelo PDT mira Bolsonaro e Walter Braga Netto, ex-ministro que foi candidato a vice na chapa derrotada do PL à Presidência em 2022. O ex-presidente é acusado de ter cometido abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante reunião com embaixadores realizada em julho do ano passado.

Com informações da Folha de S. Paulo.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading