Durante o ano de 2021, o Brasil atingiu o recorde histórico de pessoas vivendo em situação de pobreza. A realidade poderia ter sido diferente caso o governo federal, no segundo da pandemia de Covid-19, não tivesse reduzido a acesso da população a benefícios sociais, aponta estudo divulgado nesta quinta-feira (30).
A pesquisa realizada pela PUC-RS Data Social mostra que no primeiro ano da emergência de saúde (2019 e 2020) houve aumento na concentração de renda proveniente do trabalho, o que contribuiu para o aumento das desigualdades. No entanto, a implementação do Auxílio Emergencial ajudou a segurar a taxa, melhorando a distribuição e contendo o aumento da pobreza.
Em 2021 houve um movimento contrário. O governo interrompeu o pagamento do auxílio durante três meses e, depois, o programa foi retomado com valores e cobertura menores comparado ao ano anterior. De acordo com o estudo, esse foi o principal fator para o aumento recorde das desigualdades e da pobreza no país naquele ano.
A pesquisa foi feita pela PUC-RS Data Social em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), com o Observatório das Metrópoles e a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADc), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O relatório aponta que taxa de pobreza aumentou 4,6 pontos percentuais entre 2020 e 2021. Desses, 3,4 pontos podem ser atribuídos às mudanças nas políticas de transferência de renda.
Da mesma forma, a extrema pobreza aumentou 1,9 pontos percentuais, sendo 1,8 ponto causado pelas variações nos auxílios.
“Enquanto o mercado de trabalho se recuperava, as variações nas políticas de auxílio jogaram as desigualdades e as taxas de pobreza lá para cima, atingindo recordes históricos. Ou seja, a grave crise social de 2021 poderia ter sido, no mínimo, bastante amenizada”, destacou Andre Salata, coordenador do PUC-RS Data Social e um dos autores do estudo.
Em 2021, uma pesquisa do Observatório das Metrópoles mostrou que a pobreza atingiu 19,8 milhões de brasileiros que vivem em regiões metropolitanas, maior número desde 2012.
Com informações do Metrópoles.





