Uma reviravolta no cenário internacional movimentou os mercados financeiros nesta quarta-feira (9). Após uma manhã tensa com a escalada do conflito comercial entre China e Estados Unidos, o presidente Donald Trump surpreendeu ao anunciar uma pausa de 90 dias na aplicação de tarifas elevadas contra diversos países — exceto a China, que continuará sujeita a taxas mais duras. A notícia teve impacto imediato: o dólar, que chegou a ser cotado a R$ 6,09, inverteu o movimento e passou a cair com força, encerrando o dia cotado a R$ 5,834, em baixa de 2,70%. Já a Bolsa brasileira disparou 3,15%, aos 127.845 pontos.
Trump comunicou a decisão por meio da rede Truth Social, onde justificou a escalada contra a China, elevando a tarifa a 125%, mas indicando abertura ao diálogo com outros países. “Com base no fato de que mais de 75 países se mostraram dispostos a negociar e não retaliaram, autorizo uma pausa e redução tarifária temporária de 10%”, escreveu.
Em Wall Street, o alívio também foi sentido: o Nasdaq avançou 9,47%, o S&P 500 subiu 8,66% e o Dow Jones teve alta de 5,94%. Analistas destacam que o recuo estratégico de Trump segue um padrão de sua política comercial: endurecer para, depois, negociar. “O mercado já conhece esse jogo. Ele tensiona até o limite para, então, apresentar uma solução intermediária”, diz Thiago Avallone, da Manchester Investimentos.
Real teve valorização, após anúncio de Trump
A suspensão das tarifas impulsionou as moedas de países emergentes. O real, que vinha entre as divisas mais penalizadas pelas medidas protecionistas dos EUA, teve forte valorização. “Não zera as perdas recentes, mas representa uma correção significativa”, afirma Avallone.
Enquanto isso, a China reagiu com duras críticas e contra-ataques. Pequim anunciou tarifas de até 84% sobre produtos americanos e restrições a empresas dos EUA. O Ministério das Finanças chinês declarou que as ações de Washington “violam os direitos legítimos da China” e colocam em risco o sistema de comércio global.
Com informações da Folha de S.Paulo
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