O Ministério da Cultura recomeça, semana que vem, a restauração do Palácio Capanema, no Rio de Janeiro, cujas obras foram paralisadas no governo Bolsonaro — que, por sinal, queria vender o prédio numa espécie de feirão de imóveis do Ministério da Economia. A Concrejato deve concluir o trabalho em cerca de dez meses.
A informação é de Ancelmo Góis.
Marco da arquitetura moderna, o prédio foi concebido por notáveis como Lucio Costa, Oscar Niemeyer e Affonso Eduardo Reidy, sob a supervisão do franco-suíço Le Corbusier.
Depois que o governo Bolsonaro anunciou a venda do Capanema, a Revista Rio Já publicou matéria de capa defendendo a manutenção do edifício como prédio público e a recuperação arquitetônica.
Veja a reportagem:
O RIO, UNIDO, SALVA O PALÁCIO CAPANEMA
Um prédio situado à rua da Imprensa, número 16, no Centro do Rio, foi classificado em 1943, pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, como “o edifício mais avançado em construção no mundo” O poeta Carlos Drummond de Andrade, então chefe de gabinete do ministro da Educação, não fez por menos: definiu aquela obra como “a Capela Sistina brasileira”.
Este prédio foi erguido para ser a sede do então Ministério da Educação e Saúde, sob a supervisão de um gênio, Le Corbusier, e concepção de um grupo de jovens e rebeldes arquitetos brasileiros, que viriam a se tornar mundialmente famosos e respeitados. Posteriormente, passou a ser a sede do MEC e ganhou o nome do ministro de Getúlio Vargas que comandou a sua construção: Gustavo Capanema.
De tão importante como obra inaugural da moderna arquitetura brasileira e influência sobre a arquitetura mundial – a sede da ONU, em Manhattan, é inspirada nele – o edifício, tombado em 1948 como marco do patrimônio cultural, artístico e histórico do Brasil, foi homenageado com o título de Palácio, embora o povo sempre o tenha chamado de “prédio do MEC”.
Pois nada disso impediu o governo federal de incluir um dos imóveis públicos mais importantes do mundo numa lista de 750 mil prédios da União que serão vendidos à iniciativa privada na bacia das almas. Um insulto à memória de seus arquitetos, entre os quais Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, ao paisagista Burle Marx, autor de seus três jardins magníficos, e artistas plásticos que produziram obras belíssimas para o prédio, como Portinari, Guignard, Pancetti, Bruno Giorgi e Athos Bulcão.
O Palácio Capanema estaria na lista para ser “passado nos cobres” não fosse a rápida reação das autoridades do Rio, dos arquitetos, artistas plásticos e da sociedade. O governador Cláudio Castro se reuniu com o presidente da Alerj, André Ceciliano, e decidiram exigir do governo federal a preservação do Capanema como prédio público, ainda que o estado tenha de comprá-lo. O ministro Paulo Guedes prometeu retirar o Palácio da lista de privatizações. Ceciliano denunciou que privatizar o Capanema será tão absurdo quanto vender o Cristo Redentor e o Pão de Açúçar.
E assim, até prova em contrário, o Palácio Capanema está salvo, graças à mobilização das autoridades e da sociedade civil fluminense.





