No debate morno realizado na Globo entre os cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto, os candidatos do PSOL, Guilherme Boulos, e do PRTB, Pablo Marçal, têm mais a comemorar. Eles parecem ter atingido mais os objetivos que tinham costurado para o encontro, visando a reta final da campanha, ainda que, no debate de propostas, seja Tabata Amaral a que mais se destacou mais uma vez. Mas o prefeito Ricardo Nunes, que disputa palmo a palmo uma vaga no segundo turno com Boulos e Marçal, sobreviveu, apanhando menos do que em encontros anteriores.
Nunes, como atual prefeito, sabe que, em qualquer encontro que tiver com os demais candidatos, será o principal alvo. Na Globo não foi diferente, mas o nível dos ataques foi menor. Por isso, sobreviveu. E isso, por si só, é motivo de comemoração. Mas Nunes também esteve apagado, nervoso sobretudo na primeira parte, momento de maior audiência. E fez poucos acenos a um eleitorado que precisa conquistar: o bolsonarismo, que tem migrado novamente para a candidatura de Marçal segundo as últimas pesquisas.
O ex-coach, por sua vez, traçou uma estratégia que pode ser mais eficaz. No momento de maior audiência na TV, ao falar para um público mais geral, adotou uma postura moderada, evitando elevar o tom de voz, mas sem deixar de fazer acenos à direita bolsonarista, em especial, aos evangélicos, ao fazer referência à bíblia na hora de citar Cid Moreira. Na segunda metade do debate porém, com menos gente assistindo, elevou o tom de modo a garantir os cortes que usará nas redes sociais para conquistar essa fatia do eleitorado.
Assim, falou mais alto, com veias do pescoço à mostra ao chamar Boulos de extremista e qualificar todos os demais candidatos como esquerdistas. A fala veio justamente quando a busca no Google registrava alta pelo questionamento sobre o posicionamento político dos candidatos, com o objetivo direto de se consolidar entre o eleitorado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Boulos também tinha uma estratégia costurada e recomendada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma live antes do início do debate. Trazer para o encontro a emoção que faltou à sua campanha. Mesmo a militância criticou muito a falta de um tom mais voltado ao coração do eleitor ao longo da campanha de rádio e TV e nas ruas. Lula pediu exatamente essa mudança a Boulos no debate, explorando que a maioria das pessoas é mais emoção do que razão.
Por causa disso, o candidato não detalhou propostas, fugiu das explicações para as contradições que foram levadas pelos adversários e tentou se aproximar dos problemas diários das pessoas. Cumpriu o objetivo que tinha para a noite em um momento em que aparece com estabilidade nas pesquisas e boas chances de estar no segundo turno em meio à batalha entre os dois rivais.





