Quem é Salvino Oliveira, vereador do Rio preso em operação contra o Comando Vermelho

Parlamentar do PSD, eleito com mais de 27 mil votos em 2024, ficou conhecido por trajetória na Cidade de Deus e por ter sido o mais jovem secretário da Juventude da história do Rio

O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi preso nesta quarta-feira (11) durante uma megaoperação da Polícia Civil contra lavagem de dinheiro ligada à facção criminosa Comando Vermelho. A ação também resultou na prisão de cinco policiais militares.

Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro, o parlamentar teria contado com apoio de integrantes da facção para realizar campanha eleitoral na comunidade da Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio, durante as eleições municipais de 2024.

De acordo com a polícia, Salvino teria procurado o traficante Edgar Alves de Andrade, apontado como uma das principais lideranças do grupo criminoso, para obter autorização para circular e pedir votos na região.

Em contrapartida, segundo os investigadores, Salvino teria atuado para viabilizar vantagens ao grupo, apresentadas publicamente como iniciativas voltadas aos moradores, entre elas a instalação de quiosques na comunidade.

Ao chegar à delegacia, o parlamentar negou qualquer ligação com a facção criminosa.

“Eu entrei na política para mudar a vida das pessoas e eu estou sendo vítima de uma briga política que não é minha”

Vereador Salvino Oliveira (PSD)

Origem na Cidade de Deus

Nascido em 24 de dezembro de 1997, no Rio de Janeiro, Salvino Oliveira cresceu na comunidade da Cidade de Deus, na Zona Oeste. Ele costuma relatar que desde cedo enfrentou dificuldades financeiras e precisou trabalhar para ajudar no sustento e continuar os estudos.

Aos sete anos, ingressou por sorteio no Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino mais tradicionais do país. Para se manter na escola e concluir a formação, trabalhou em diferentes atividades informais, como vendedor ambulante, vendendo água em sinais e balas em coletivos, além de atuar como recepcionista em casas de festa.

Em 2018, conseguiu estágio na Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro e também atuou como pesquisador no Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec). Em 2023, concluiu a graduação em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Atuação com juventude

Antes de entrar para a política institucional, Salvino foi um dos fundadores do coletivo Perifa Connection, iniciativa voltada à comunicação e articulação política nas periferias, com foco na criação de oportunidades para jovens.

Em 2021, no início do terceiro mandato do prefeito Eduardo Paes, foi convidado para criar e comandar a Secretaria Especial da Juventude Carioca. Com isso, tornou-se o primeiro titular da pasta e também o secretário mais jovem da história da prefeitura.

À frente da secretaria, lançou programas voltados à qualificação profissional e inclusão social de jovens de comunidades.

Entre as iniciativas estão o Pacto pela Juventude, desenvolvido em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que forma jovens líderes comunitários e concede auxílio financeiro durante seis meses para que desenvolvam projetos locais.

Outro projeto foi a criação dos Espaços da Juventude, centros públicos voltados à capacitação tecnológica em áreas ligadas à indústria 4.0, com cursos como operação de drones, programação móvel e design de games. Em 2024, o programa contava com sete unidades em bairros como Estácio, Cidade de Deus, Madureira, Vigário Geral, Jacarezinho, Vargem Pequena e Campo Grande.

Eleição para vereador

Nas eleições municipais de 2024, Salvino foi eleito vereador do Rio de Janeiro pelo Partido Social Democrático (PSD), com mais de 27 mil votos.

Entre as propostas apresentadas no Legislativo, uma das mais conhecidas é o projeto que trata da regulação do aluguel por temporada na cidade, com previsão de regras para o setor e compartilhamento de informações por empresas de hospedagem.

Mãe de Oruam foragida

Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Márcio Gama dos Santos Nepomucemo, o Marcinho VP, e mãe de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, também é alvo da ação e está foragida.

Segundo a polícia, Marcinho estaria usando a mulher e um sobrinho, Landerson Lucas dos Santos, para intermediar comunicações com a facção.

O homem, de acordo com a polícia, exerce papel de elo entre lideranças da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização criminosa, como serviços, imóveis e outros negócios utilizados para geração de recursos e expansão do poder do grupo. Ele também não foi encontrado.

Mesmo após quase três décadas no sistema prisional, as investigações indicam que Marcinho VP continua exercendo papel central na estrutura de comando da facção, apontado como liderança do chamado conselho federal permanente do grupo.

A operação

A operação, chamada Contenção Red Legacy, investiga a atuação de uma rede suspeita de integrar integrantes da facção, policiais e agentes políticos em crimes como organização criminosa armada, corrupção policial e movimentação de dinheiro ilegal.

Segundo a Polícia Civil, o objetivo é desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, que os investigadores apontam como uma organização criminosa com atuação interestadual e estrutura semelhante à de um cartel.

A investigação foi conduzida pela delegacia, que mapeou a estrutura de poder da facção no estado, e conta com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de agentes de delegacias especializadas e da capital.

De acordo com os investigadores, o grupo possui uma organização interna com cargos definidos, conselho deliberativo, regras disciplinares e processos formais de decisão.

Entre os líderes identificados está Doca, apontado como ‘1ª Voz das Ruas’, função que atuaria como porta-voz da cúpula da facção.

Ainda segundo a apuração, um estatuto interno do Comando Vermelho chegou a ser enviado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) durante negociações entre as facções em fevereiro de 2025.

São alvos da ação Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, responsável pela gestão financeira do grupo; e Carlos da Costa Neves, o Gardenal, encarregado de operacionalizar determinações da liderança.

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