A operação Contenção, realizada nesta quinta-feira (11), tem como alvo Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, apontado pela polícia como chefe do tráfico de drogas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana. Ele permanece no topo da hierarquia criminosa há mais de três décadas e segue foragido desde 2019.
Rabicó foi preso em 2008, em Mamanguape, Pernambuco, onde vivia com a família e se apresentava como empresário do setor de reciclagem, segundo a polícia.
Condenado a mais de 27 anos, ele cumpriu pena no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, e em unidade de segurança máxima em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Depois de passar 11 anos preso, Rabicó obteve decisão liminar no Supremo Tribunal Federal que permitiu aguardar em liberdade o recurso de um dos processos. Desde então, não retornou ao sistema prisional.
Mesmo preso, mantinha influência no Salgueiro, segundo investigações. Após deixar a prisão, consolidou novamente sua posição no grupo, embora sua atuação tenha gerado divergências entre lideranças do Comando Vermelho.

Criminoso desagradou liderança do CV
Medidas atribuídas a ele, como a cobrança de taxas de comerciantes de conjuntos de favelas próximos, passaram a contrariar figuras históricas da facção, entre elas Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que cumpre pena no Paraná.
Em abril de 2019, um grupo armado ligado a Rabicó teria realizado uma caçada em comunidades de São Gonçalo para localizar Thomas Jhayson Vieira Gomes, o 3N. A ação desencadeou um rompimento dentro do Comando Vermelho.
Racha dentro da facção
Na fuga do Salgueiro, 3N rompeu com a facção, aderiu ao Terceiro Comando Puro (TCP) e adotou o novo codinome, de 2N.
O atrito refletiu um desgaste prévio entre Rabicó e 2N, já que o segundo não acatava mais as ordens do chefe e resistia a entregar o controle do tráfico no conjunto de favelas.
Outra medida de Rabicó desaprovada por Marcinho VP, foi a tentativa de promover Rayane Nazareth Cardoso da Silveira, a Hello Kitty, que migrou da ADA para o Comando Vermelho durante conflitos na região.
A possível ascensão dela para a gerência de uma área do Jardim Catarina contrariou integrantes antigos da comunidade, como Neuber e Telminho, que defendiam que a função fosse ocupada por moradores do próprio território, conforme informações do setor de inteligência do 7º BPM na época.
Alta periculosidade
Segundo a polícia, Rabicó é um criminoso conhecido pela alta periculosidade e desejo pelo poder dentro da facção. Na operação desta quinta-feira (11), seu nome aparece entre os 44 mandados de prisão expedidos pela Justiça.
Ele responde a uma série de processos que correm no Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) pelos crimes de homicídios, tentativa de homicídios, tráfico de drogas, associação criminosa, organização criminosa, porte e posse ilegal de arma de fogo.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes






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