Quase metade dos jovens vê redes sociais como nocivas à saúde mental, aponta estudo

Pesquisa do Pew Research Center revela aumento na percepção negativa entre adolescentes

Um novo levantamento do Pew Research Center, divulgado nesta terça-feira (22), revela que 48% dos adolescentes norte-americanos acreditam que as redes sociais impactam negativamente a saúde mental das pessoas da sua faixa etária. A pesquisa, realizada com 1.391 jovens de 13 a 17 anos e seus pais, representa um aumento expressivo em relação ao estudo anterior, de 2022, quando esse percentual era de 32%.

Apesar do aumento na preocupação coletiva, a percepção individual dos adolescentes mostra um quadro mais ambíguo. Apenas 14% dos jovens afirmaram sentir efeitos negativos das redes em suas próprias vidas. A maioria (59%) considera o impacto neutro, enquanto 27% enxergam benefícios no uso das plataformas digitais.

“Acredito que o uso excessivo das redes sociais é a principal causa de depressão entre os jovens”, disse um dos adolescentes entrevistados. “As pessoas se deixam abalar por opiniões de desconhecidos, e isso afeta profundamente sua saúde mental”, acrescentou.

Conectados demais

O estudo também revela que quase metade dos adolescentes dos Estados Unidos afirmam estar on-line praticamente “o tempo todo”, o que atualiza os dados já alarmantes de uma pesquisa publicada pelo Pew em dezembro do ano passado. Segundo o novo levantamento, 45% dos adolescentes reconhecem passar tempo demais conectados às redes sociais — um aumento em relação aos 36% que declararam o mesmo em 2022.

Há, no entanto, sinais de autocrítica e tentativa de mudança: 44% dos entrevistados disseram ter reduzido o tempo gasto nas redes sociais e no celular recentemente.

Diferenças de gênero e raça

A percepção dos impactos das redes sociais varia significativamente entre os gêneros. Meninas são mais propensas a associar o uso das plataformas a efeitos prejudiciais: 57% delas veem um impacto negativo sobre os adolescentes em geral, contra 38% dos meninos. No entanto, ao serem questionados sobre seus próprios sentimentos, os percentuais se aproximam — 15% das meninas e 14% dos meninos relataram efeitos negativos pessoais.

Em relação à origem étnico-racial, adolescentes brancos foram os que mais identificaram impactos nocivos das redes na vida de outros jovens. Já na análise dos efeitos sobre suas próprias vidas, as diferenças entre jovens brancos, negros e hispânicos foram praticamente inexistentes.

Pais mais preocupados que os filhos

A pesquisa escancara o descompasso entre o que os pais percebem e o que os filhos sentem em relação às redes sociais. Enquanto 44% dos pais acreditam que essas plataformas são prejudiciais à saúde mental dos adolescentes, apenas 22% dos jovens compartilham essa visão.

“A tecnologia está tornando-os mais receosos de tentar coisas novas, menos criativos e menos propensos a resolver seus próprios problemas, sejam eles de relacionamento ou práticos”, afirmou uma mãe ouvida pelo estudo.

O bem-estar mental dos adolescentes é motivo de preocupação para a maioria das famílias: 89% dos pais e 77% dos adolescentes se disseram “um pouco” ou “extremamente” preocupados com o tema.

Nem tudo é negativo

Apesar das críticas, o estudo também destaca aspectos positivos associados ao uso das redes sociais. Quase 60% dos adolescentes afirmaram que as plataformas oferecem um espaço para expressar criatividade, e muitos relataram que elas ajudam a manter o vínculo com os amigos e a acompanhar acontecimentos importantes em suas vidas.

O relatório do Pew Research Center, uma das instituições de pesquisa mais respeitadas dos Estados Unidos, ajuda a iluminar as nuances do relacionamento entre jovens, tecnologia e saúde mental — revelando tanto os riscos quanto as oportunidades desse universo digital cada vez mais onipresente.

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