Quaquá afirma que trabalho de articulação de Rui Costa é uma tragédia e que saída de Daniela Carneiro não resolve os problemas da base

O vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, fez uma avaliação crítica dos responsáveis pela articulação política  do governo, em entrevista ao UOL.  O parlamentar tem uma avaliação implacável sobre o trabalho de um dos principais articuladores do governo, o ministro da Casa Civil. “A relação de Rui Costa com o Congresso é uma tragédia”, disse…

O vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, fez uma avaliação crítica dos responsáveis pela articulação política  do governo, em entrevista ao UOL.  O parlamentar tem uma avaliação implacável sobre o trabalho de um dos principais articuladores do governo, o ministro da Casa Civil. “A relação de Rui Costa com o Congresso é uma tragédia”, disse

Além de lamentar que o titular da Casa Civil não receba os deputados que procuram o Executivo, o vice-presidente do PT refuta o discurso feito por Costa na Bahia, menosprezando a atividade parlamentar que ocorre em Brasília.

Quaquá sugere ao governo que estabeleça uma cota de emendas e as libere aos deputados e senadores. Isso, acredita ele, resolveria encrencas como a discussão sobre a saída de Daniela Carneiro do Ministério do Turismo, a pedido do União Brasil.

“Se o governo der R$ 50 milhões para cada deputado do União Brasil, 90% deles vão votar com a gente”, afirmou

Confira os principais trechos da entrevista ao UOL

O sr. acha que o governo deve aceitar o pleito do União Brasil, que exige a saída da ministra do Turismo, Daniela Carneiro?

Washington Quaquá – Eu acho que a Daniela contempla o Rio de Janeiro, é uma mulher evangélica, é da Baixada Fluminense. Ela e o Waguinho (marido de Daniela, que é prefeito da cidade fluminense de Belford Roxo) foram muito leais ao presidente Lula na campanha, ele apoiou o Lula a vida inteira. Acho que tem um simbolismo muito grande a presença da Daniela no ministério. Outra coisa: não é isso que vai resolver os problemas da base do governo. O que vai resolver é emenda parlamentar.

Deputado quer fazer parte do orçamento, manejar uma parte do orçamento para a base dele, para o município dele, para o estado dele. Isso é justo. Eu não acho injusto, porque o Brasil dá muito poder ao Parlamento. O Parlamento quer compartilhar poder. Se você pega um pedaço do orçamento, digamos R$ 20 bilhões, que é 20% do investimento que o governo federal tem, e determina os locais em que podem ser investidos, estabelece as políticas que podem ser feitas em educação, saúde, etc… Ao deixar isso transparente, eu não vejo nenhum problema. É isso que vai resolver a base do governo, não quer ministério.

Mas o sr. não acha que os deputados do Centrão estão demonstrando uma voracidade maior que a normal?

É só estabelecer uma cota. Vai ser R$ 50 milhões por deputado a cada ano? Define isso. O cara que é oposição tem o benefício de poder falar mal do governo à vontade. Ele ganha voto nesse nicho. E o cara que é do governo, qual é o benefício dele? É poder governar. É poder realizar coisas na base eleitoral dele. Acho mais do que justo, mais do que tranquilo. Com R$ 18 bi, R$ 20 bi, R$ 25 bilhões resolve essa parada. Não é com ministério. Claro que ministério faz parte, mas do ponto de vista de querer governar junto, participar da política pública. Eu estou lá todo dia, com a base no Congresso. O que contemplará a base e formará a maioria para governar são as emendas

Os caciques do União Brasil dizem que querem o ministério do Turismo e que se Daniela continuar no ministério vão levar 50 deputados para a oposição.

 Mentira. Eles não controlam ninguém ali. Isso é conversa fiada. Se o governo der R$ 50 milhões para cada deputado do União Brasil, 90% deles vão votar com a gente

O sr. já deu essa sugestão à equipe do governo, ao presidente Lula?

Já falei com o [ministro Alexandre] Padilha, já falei com o líder [deputado José Guimarães], não estive com o Lula ainda, mas já mandei recado.

Falou para o Rui Costa?

Não. Não ando falando com o Rui. Eu acho a relação do Rui Costa com o Congresso uma tragédia.

O que ele deveria fazer e não faz?

 Primeiro, receber os deputados. Tratar os deputados como parte do poder da República. E aquele discurso que ele fez lá na Bahia foi uma tragédia. Falou sobre Brasília e sobre os deputados, falando que aquilo lá é um circo, uma Disneylândia. Até parece que na Bahia nós [do PT] não fazermos aliança com a Assembleia de lá inclusive de maneira correta. Ministro de Estado não pode fazer graça, tem que medir o que fala.

 O sr. acha que o ministro Padilha está se conduzindo bem. O problema é o ministro Rui Costa?

Sou amigo do Padilha e gosto muito dele. Mas precisa primeiro entender o presidente [Arthur] Lira como um fenômeno político brasileiro. Hoje, o presidente da Câmara é o presidente do sindicato dos parlamentares, ele representa os interesses dos parlamentares. Não tem mais um Ulysses Guimarães, que defendia teses. Hoje você tem um cara que defende o mandato dos deputados. Lira faz isso muito bem

Então, ele tem hoje maioria na Câmara e tem sido um cara muito justo com o Brasil. Eu digo isso porque ele deu estabilidade ao Bolsonaro, e ele quer dar estabilidade ao Lula, ele quer entregar a estabilidade ao país. Precisa tratar o Lira como parceiro da estabilidade, não como um adversário, entendeu?

 Eu acho que o erro do governo hoje é tratar o Lira não como um parceiro da estabilidade, mas como um chantagista. Tem que entender o momento que a gente vive no país, o momento institucional do país. Entender que a Constituição de 1988 permitiu que os parlamentos municipais, estaduais e o nacional tenham um poder grande e que é preciso compartilhar poder com esse parlamento

E o orçamento secreto aumentou ainda mais esse poder.

 Aumentou ainda mais. Aí, qual a burrice que o governo fez?

Aumentou a emenda impositiva para R$ 30 milhões. Aí, você perde completamente o poder que tem no parlamento. Eu era a favor de manter o orçamento. Não secreto. Mas o orçamento dando transparência pra quem vai, pra onde vai e estabelecer um valor maior para a base do governo.

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