“Qual sua necessidade de caixa?”: diálogo entre ex-presidente do BRB e Vorcaro entra na mira da PF

Polícia Federal aponta que ex-presidente do BRB colocou banco à disposição de Daniel Vorcaro

Novos diálogos obtidos pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero colocaram o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, no centro das investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Segundo documentos analisados pela PF, conversas encontradas em celulares apreendidos indicam que Costa teria colocado a estrutura do BRB à disposição de Vorcaro em meio às operações investigadas. Em uma das mensagens, o então presidente do banco pergunta diretamente ao empresário sobre demandas financeiras.

“Qual sua necessidade de caixa? Você pode me enviar um cronograma tentativo”, escreveu Paulo Henrique Costa em conversa atribuída a Daniel Vorcaro. Em seguida, o empresário respondeu: “Vou preparar e te enviar”.

As mensagens foram reveladas inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas junto a fontes ligadas à investigação.

Suspeita de favorecimento

De acordo com a Polícia Federal, as conversas reforçam a suspeita de que o BRB teria sido utilizado para atender interesses ligados ao Banco Master e a operações financeiras consideradas irregulares pelos investigadores.

A investigação aponta ainda que Paulo Henrique Costa tratava a estrutura do banco estatal como instrumento de negociação pessoal e política. Os investigadores também analisam mensagens interpretadas como possível cobrança de vantagens indevidas em forma de imóveis.

Em outro trecho da conversa, Costa afirma a Vorcaro que precisava de “atenção” para resolver um “cronograma pessoal” relacionado a um imóvel em São Paulo.

“Amigo, queria te pedir uma atenção também ao nosso cronograma pessoal para acertar inclusive o contrato de moradia em SP. Este é um assunto que está mais na sua mão”, escreveu o ex-presidente do BRB, segundo a investigação.

Grupo de WhatsApp

Outro ponto identificado pela Polícia Federal foi a existência de um grupo de WhatsApp chamado “Info BRB”, que, segundo os investigadores, seria utilizado para orientar a produção de documentos considerados fraudulentos.

De acordo com a apuração, o grupo teria servido para organizar comprovantes relacionados a carteiras de crédito classificadas como de difícil recuperação ou sem valor efetivo de mercado.

De acordo com a PF, as provas demonstram que o BRB tomou ciência das suspeitas de fraudes nas carteiras de crédito adquiridas do Master desde o início das transações, no segundo semestre de 2024, e optou deliberadamente por dar prosseguimento às operações. Essas provas são compostas por depoimentos de dirigentes do BRB, anotações e documentos apreendidos, conteúdo dos celulares dos alvos investigados e relatórios financeiros.

“Os depoimentos indicam que o BRB não foi vítima da estratégia fraudulenta do Banco Master”, diz o relatório. Prossegue a PF: “Contrariando a diligência exigida na gestão contratual, os gestores mantiveram a operação mesmo após terem ciência formal do descumprimento de cláusulas contratuais referentes ao repasse financeiro, da inexistência dos comprovantes de averbação e de diversas outras fragilidades operacionais. Entre tais fragilidades destacam-se o controle manual de dados por meio de planilhas Excel e a ausência de estruturas mínimas de governança destinadas à adequada recompra e substituição dos contratos”.

A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema estruturado de fraudes financeiras, ocultação de operações e favorecimentos envolvendo instituições financeiras e agentes públicos.

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