Quaest mostra avanço de Flávio e perda de espaço de Lula entre independentes

Pesquisa aponta mudança entre eleitores que representam um terço do eleitorado e podem ser decisivos na disputa presidencial

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A nova pesquisa Quaest, contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e divulgada nesta sexta-feira, mostra uma mudança importante entre os eleitores independentes na corrida presidencial de 2026. Nesse segmento, Flávio Bolsonaro (PL) avançou nas intenções de voto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu espaço.

Os independentes representam cerca de um terço do eleitorado brasileiro e são considerados estratégicos para o resultado da eleição. Sem conquistar uma parcela significativa desse grupo, nem Lula nem Flávio conseguem formar uma maioria apenas com suas respectivas bases políticas.

Além disso, trata-se de um eleitorado mais volátil e menos envolvido com a disputa. Segundo o levantamento, 33% dos independentes dizem não ter nenhum interesse na eleição, enquanto 47% afirmam estar pouco interessados.

Flávio avança cinco pontos

Em um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro passou de 30% para 35% das intenções de voto entre os independentes em menos de dez dias. Lula, no sentido contrário, oscilou de 33% para 29%.

As movimentações estão dentro da margem de erro de quatro pontos percentuais para esse recorte da pesquisa e, por isso, não permitem afirmar isoladamente que houve uma mudança consolidada. Ainda assim, as oscilações do período favoreceram o candidato do PL.

Os independentes também apresentam elevado percentual de eleitores ainda fora da escolha entre Lula e Flávio. Brancos, nulos e aqueles que dizem que não pretendem votar somam 27%, enquanto os indecisos representam 9%.

Governo enfrenta piora na avaliação

Os números também trazem um sinal de alerta para Lula na avaliação de seu governo. Pela primeira vez desde maio de 2026, a parcela dos independentes que considera a administração federal negativa, de 36%, superou a dos que a classificam como regular, de 34%. Outros 26% avaliam positivamente a gestão.

A desaprovação de Lula nesse segmento passou de 45% em junho para 48% na pesquisa divulgada nesta sexta-feira. Além disso, 58% dos independentes consideram que o Brasil está seguindo na direção errada, enquanto 28% acreditam que o país caminha na direção correta.

O perfil do grupo também ajuda a explicar o tamanho do desafio para o presidente. Entre os independentes, 36% se identificam como de centro e apenas 9% como de esquerda. Já 51% se definem como conservadores.

A violência aparece como a principal preocupação desse eleitorado, assim como ocorre nos demais grupos políticos. Educação é mencionada por 9% e problemas sociais por 10%.

Apesar do avanço de Flávio, a rejeição aos dois candidatos permanece praticamente empatada entre os independentes: 60% para Lula e 59% para o senador. Quando questionados sobre os dois campos políticos, 37% dizem ter mais medo da volta da família Bolsonaro ao poder, contra 35% que afirmam temer mais uma reeleição de Lula.

Disputa geral fica mais apertada

No conjunto do eleitorado, Lula registra 43% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 40%. Outros 13% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam às urnas, e 4% permanecem indecisos.

A diferença de três pontos coloca os dois candidatos em situação de empate técnico, considerando a margem de erro geral. A distância entre eles era de cinco pontos no levantamento realizado no início do mês e chegou a oito pontos em julho.

Os números indicam uma recuperação de Flávio após o desgaste provocado pela divulgação, em maio, de conversas do senador com Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre segunda e quinta-feira. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Para o recorte dos independentes, a margem é de quatro pontos. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-06773/2026.

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