A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma operação para prender integrantes de uma quadrilha especializada em invadir residências de alto padrão na Zona Sul da capital. O grupo escolhia possíveis vítimas pelas redes sociais e, depois, monitorava os imóveis antes de executar os assaltos.
Os criminosos analisavam as ruas, verificavam câmeras de segurança, observavam o policiamento e identificavam os acessos às casas. Durante as invasões, procuravam principalmente joias e relógios, além de obrigarem moradores a fazer transferências via Pix para contas ligadas ao grupo.
Em um dos casos investigados, uma vítima foi submetida a violência e obrigada a transferir mais de R$ 100 mil aos criminosos. A polícia estima que a quadrilha tenha conseguido mais de R$ 200 mil somente com o roubo de joias.
Grupo tinha funções definidas
Segundo a investigação, a quadrilha era dividida em quatro grupos. Os chamados “batedores” faziam o reconhecimento dos locais; os motoristas cuidavam do transporte; os “puladores” invadiam as residências; e os “homens do Pix” coagiam as vítimas durante os assaltos.
A investigação começou em fevereiro e já resultou em outras operações. Ao todo, seis pessoas foram presas. Na ação mais recente, os agentes cumpriram quatro mandados de prisão no Andaraí, em Água Santa e no Morro do 18, na Zona Norte.
Um dos alvos, identificado como Victor Santana dos Reis, morreu durante a operação. Outras duas pessoas foram presas pelos agentes.
Chefe comandava crimes de dentro da prisão
Márcio de Oliveira Lourenço, conhecido como Bebel, é apontado pela Polícia Civil como chefe do grupo. Preso no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste, ele teria usado um celular para identificar moradores de imóveis de alto padrão por meio das redes sociais.
Ainda de acordo com os investigadores, Bebel repassava informações aos demais integrantes e acompanhava os assaltos por videochamada. Após a escolha da vítima, os comparsas faziam o levantamento detalhado do endereço antes da invasão.
Câmeras de segurança registraram parte das ações. Imagens de março mostram homens com os rostos cobertos entrando e deixando residências pela janela, carregando bolsas e mochilas. Em outro caso, vítimas permaneceram reféns por cerca de três horas em São Conrado e foram obrigadas a transferir R$ 30 mil.
Sistema de câmeras ajudou a localizar suspeitos
A Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas) também colaborou com a investigação. A análise das câmeras da Prefeitura do Rio permitiu identificar veículos usados pelo grupo e reconstruir os deslocamentos dos suspeitos.
O carro investigado apareceu com frequência em áreas como Lagoa, Gávea, Rio Comprido e Tijuca. Os registros apontaram maior movimentação durante a madrugada, principalmente entre meia-noite e 5h, com segunda-feira concentrando o maior número de ocorrências.
A Polícia Penal informou que colaborou com a investigação e que Bebel foi transferido para a Penitenciária Laercio da Costa Pellegrino, em Bangu 1, onde permanece isolado. Segundo o órgão, também está em andamento o pedido para eventual transferência do preso para uma unidade federal.





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