O PT terá 12 candidatos próprios aos governos estaduais, em uma mudança significativa em relação ao histórico eleitoral da legenda. Em 2022, foram 13 candidaturas, enquanto em 2002, ano da primeira vitória presidencial de Lula, o partido lançou 25 nomes.
A nova estratégia prioriza acordos com partidos aliados e integrantes do Centrão em Estados onde o PT avalia não ter nomes competitivos. A intenção é garantir estruturas regionais para a campanha presidencial e ampliar o apoio político a Lula.
A construção dos palanques considera as particularidades de cada Estado e abre espaço para candidatos de outras legendas que possam apoiar a candidatura presidencial petista.
Alianças ampliam presença de Lula nos Estados
Entre os Estados onde o PT terá candidatura própria estão Minas Gerais, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e São Paulo, além do Distrito Federal.
Em outras unidades da Federação, o partido decidiu apoiar aliados. O PSD ficará à frente de palanques ligados a Lula no Rio de Janeiro, Amazonas, Sergipe e Tocantins. União Brasil e PP terão apoio do grupo governista no Amapá e na Paraíba, respectivamente.
No Pará e em Alagoas, os acordos envolvem candidatos do MDB. A estratégia também inclui partidos mais próximos do PT, como PSB e PDT, que estarão ao lado de Lula em Estados como Acre, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Minas Gerais fecha desenho das candidaturas
Minas Gerais esteve entre os últimos Estados a definir o palanque petista. O partido escolheu o ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias para disputar o governo estadual, após negociações que também envolveram outros nomes, entre eles o senador Rodrigo Pacheco, do PSB.
Com a definição mineira, o PT concluiu o desenho das candidaturas próprias e passou a concentrar esforços na consolidação dos acordos com aliados.
No Rio Grande do Sul, a decisão tem peso histórico: será a primeira vez desde a redemocratização que o PT não apresentará candidato próprio ao governo estadual.
Alianças podem fortalecer campanha presidencial
O cientista político Sérgio Simoni Jr. avalia que a estratégia representa uma adesão regional e fragmentada, na qual grupos de partidos aliados podem apoiar Lula mesmo sem um alinhamento formal das direções nacionais dessas legendas.
O vice-líder do governo Lula no Congresso, Lindbergh Farias (PT-RJ), defendeu a política de alianças e afirmou que não vê problema na aproximação com diferentes partidos.
A articulação também busca ampliar a presença do grupo governista nos Estados e reduzir espaços para adversários durante a campanha presidencial de 2026.
Menos candidaturas traz desafios ao PT
A decisão de abrir mão de candidaturas próprias também pode produzir efeitos nas eleições proporcionais. Candidatos competitivos aos governos estaduais costumam contribuir para fortalecer as chapas partidárias que disputam vagas na Câmara dos Deputados.
Para o professor Vinícius Alves, do IDP-SP, a escolha depende das condições políticas de cada Estado. Segundo ele, o PT tende a apoiar aliados quando encontra nomes competitivos e alinhados à campanha presidencial.
Nos locais onde essa alternativa não existe, a legenda pode manter candidaturas próprias, ainda que com menor perspectiva de vitória, para garantir uma estrutura regional de apoio à campanha de Lula.
A eleição de 2026, portanto, terá como uma de suas características a ampliação das alianças estaduais. Para o PT, a estratégia representa uma tentativa de combinar presença regional, acordos com diferentes partidos e fortalecimento da campanha presidencial.







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