PSOL se mobiliza para pressionar Rodrigo Neves a vetar ‘Lei anti-Oruam’ em Niterói

Texto aprovado na Câmara de Niterói proíbe a contratação de shows considerados como apologia ao crime ou ao uso de drogas. Partido argumenta que medida pode legitimar repressão à cultura periférica e repete estratégias históricas de repressão

O PSOL iniciou uma mobilização nas redes sociais para pressionar o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, a vetar o projeto de lei conhecido como Lei “Anti-Oruam”, aprovado pela Câmara Municipal no último dia 10. A proposta proíbe o uso de recursos públicos para contratar, patrocinar ou divulgar shows abertos ao público infantojuvenil que façam apologia ao crime ou ao uso de drogas e agora aguarda decisão do Executivo.

Segundo o partido, a iniciativa, apresentada sob o argumento de combate à criminalidade, pode abrir caminho para a criminalização de manifestações culturais periféricas, como o funk, o rap e o hip hop. Em publicações nas redes, o PSOL convoca apoiadores a cobrar o veto do prefeito com a mensagem “Prefeito, vete!”.

Partido fala em censura às expressões periféricas

Em texto divulgado nas redes sociais, o partido afirma que a proposta desloca para a cultura a responsabilidade por problemas estruturais. Segundo o PSOL, a medida repete estratégias históricas de repressão a expressões populares.

“Ao se apresentar como medida de combate ao crime, a proposta desloca para a cultura a responsabilidade por problemas estruturais que decorrem da ausência de políticas públicas, da desigualdade social e do racismo institucional”, diz um trecho do texto publicado pelo partido.

Ainda de acordo com a bancada, iniciativas semelhantes já foram usadas no passado como forma de controle social. “Trata-se de uma estratégia conhecida, já aplicada no passado contra a capoeira, o samba e outras manifestações populares, que buscou controlar corpos, silenciar vozes e restringir o direito à cidade da população negra e pobre”, afirma outro trecho da publicação.

A legenda sustenta ainda que a noção de “apologia ao crime”, sem critérios objetivos, pode servir para censurar expressões artísticas legítimas. Em outro trecho do texto, o PSOL afirma que movimentos culturais periféricos exercem papel social relevante.

“O funk, o rap e o hip hop são expressões centrais da cultura urbana contemporânea, com enorme alcance social e profundo enraizamento nas periferias”, diz o partido, acrescentando que criminalizá-los “significa reforçar estigmas e legitimar a repressão seletiva”.

Projeto aguarda sanção do prefeito para entrar em vigor

A proposta aprovada em Niterói é de autoria da vereadora Fernanda Louback (PL) e tem o mesmo teor do projeto que acabou sendo arquivado neste mês pela Câmara do Rio. Segundo a parlamentar, o objetivo da iniciativa, semelhante ao das terras cariocas, não é atingir artistas específicos, mas impedir o uso de dinheiro público em eventos que, segundo ela, romantizem o crime e o uso de drogas.

Caso seja sancionada, a lei obriga a inclusão de cláusulas específicas nos contratos firmados pela prefeitura para eventos culturais, proibindo conteúdos considerados como apologia à criminalidade. O descumprimento poderá resultar em rescisão contratual e multa equivalente a 100% do valor do contrato, além de outras sanções. Os valores arrecadados com multas seriam destinados ao ensino fundamental da rede municipal.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading