PSD x PL: Guerra do BRT e atentado a secretário de Paes viram munição em embate na Câmara do Rio

Base governista levanta suspeita de motivação política em ataque a João Pires e ataca apreensões do Detro na linha 77 do BRT; oposição do PL reage e classifica tese de atentado como “irresponsabilidade”

​A temperatura no velho Palácio Pedro Ernesto subiu nesta terça-feira (17) com o transbordamento da crise entre o prefeito Eduardo Paes (PSD) e o governador Cláudio Castro (PL) para o plenário. Os vereadores repercutiram o impasse jurídico sobre a nova linha 77 do BRT, que liga a capital à Baixada Fluminense, e o ataque sofrido pelo secretário municipal de Defesa do Consumidor, João Pires. O embate, aliás, ocorreu no mesmo dia em que o vereador Salvino Oliveira (PSD), preso na semana, retornou à Casa.

​O líder do governo, Márcio Ribeiro (PSD), foi o primeiro a colocar lenha na fogueira, criticando duramente a operação do Detro que rebocou um ônibus da linha 77 (Irajá x Mesquita) no primeiro dia de circulação. Ribeiro classificou a ação como um “desespero” do órgão estadual e acusou o governo de ir contra a população da Baixada, seguindo a linha do prefeito Eduardo Paes, que já havia criticado as apreensões do Detro.

“O que a gente viu foi o Detro fazendo com que moradores tivessem que descer dos ônibus que já estavam sentados. Estão interrompendo um serviço para a população poder viajar pagando mais barato”, afirmou Ribeiro.

O vereador também elogiou a iniciativa da prefeitura de integrar o BRT à região metropolitana e acusou o órgão estadual de agir contra uma alternativa mais barata de deslocamento. “Muito triste que um órgão que não consegue fazer pela população se incomode tanto com outro que consegue fazer”, disse, saindo em defesa do alcaide carioca.

Mais novo governista da Casa, Pedro Duarte (PSD) fez coro ao colega e reforçou as críticas ao Detro, citando investigações do Ministério Público sobre o órgão. O vereador afirmou que há décadas não há licitação de linhas intermunicipais no estado e criticou o que chamou de falta de prioridade na integração do sistema.

“Eu teria vergonha de hoje ser o presidente do Detro”, disse. Em seguida, Duarte mencionou uma investigação em curso no Ministério Público contra o órgão e detalhou o teor das apurações.

“A ementa da investigação diz: esquema de corrupção para redução de autuações; agilização irregular de processos administrativos; concessão de linhas experimentais e permissões mediante pagamentos indevidos; envolvimento de particulares e servidores públicos; e, conforme classificação do MP, ‘fraude estruturada para lesar o erário público, com dano ao erário e enriquecimento ilícito’. Isso não são minhas palavras, é uma investigação em curso”, afirmou.

Ataque sofrido por João Pires ampliou embate

​O embate prosseguiu com a repercussão do ataque sofrido pelo secretário João Pires na Rodovia RJ-106 na noite desta segunda-feira (16). O caso, inicialmente registrado como tentativa de assalto, passou a ser investigado nesta terça-feira pela Polícia Civil como tentativa de homicídio. Márcio Ribeiro (PSD) afirmou que há preocupação com a escalada da violência na cidade e levantou suspeitas sobre possíveis motivações políticas envolvendo o atentado contra o secretário de Paes.

“A gente tem que torcer para que o que tenha acontecido seja apenas uma tentativa de assalto, porque temos medo de algo pior, de perseguição política e do aparelhamento das forças policiais”, disse. Ele acrescentou que as críticas não se estendem às corporações, mas a “uma minoria que se sujeita a ordens vindas de cima”.

O edil voltou a criticar a gestão de Cláudio Castro, que já anda com a relação azedada com Paes — principal oposição do grupo de Castro na disputa pelo Palácio da Guanabara —, principalmente após a prisão do vereador Salvino Oliveira, a qual classificou como covardia e inclusive gerou denúncia do PSD na PGR por “suposto uso político” das forças policiais.

“Por este governo viver um desgoverno total, continuamos com muito medo do aparelhamento das forças policiais e de que elas possam agir a serviço da política, em vez de garantir a segurança da população carioca”, disparou o líder de governo.

‘Dizer que foi tentativa de homicídio é irresponsabilidade’

A fala provocou reação imediata de vereadores do PL. O vereador Rafael Satiê (PL) elogiou o trabalho técnico de João Pires à frente do Procon, mas classificou como “irresponsabilidade” a narrativa de atentado político.

​“Dizer que foi tentativa de homicídio é muita responsabilidade, ou quiçá irresponsabilidade. Quem quer matar alguém não vai abrir janela e apontar fuzil; vai sair atirando. O prefeito Eduardo Paes publicou que foi tentativa de homicídio compartilhando páginas de fofoca. Se houvesse tentativa de execução, os homens o teriam matado quando ele bateu no posto de gasolina”, argumentou Satiê.

​O líder da bancada do PL, Rogério Amorim, acompanhou a crítica, classificando o discurso da base governista como uma “tentativa desesperada de entrar na questão da segurança”, área que tem sido o principal campo de batalha entre Paes e Castro visando as eleições para o governo do estado.

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