O total de mortos nos protestos que se espalharam pelo Irã ultrapassou a marca de 500 neste domingo (11), de acordo com um grupo de ativistas que acompanha a situação no país.
Enquanto organizações não governamentais denunciam a ocorrência de um “massacre” contra os manifestantes, a polícia ligada ao regime de Khamenei declarou que “escalou” sua resposta aos protestos.
O novo balanço de vítimas fatais das manifestações contra o governo do aiatolá Ali Khamenei — que tomaram as ruas do país há quase duas semanas — surge em meio a denúncias de violência policial feitas por participantes dos atos.
Iranianos ouvidos por jornais dos Estados Unidos e do Reino Unido relataram que policiais dispararam contra manifestantes em mais de 100 cidades onde houve protestos em todo o território iraniano.
A organização de direitos humanos HRANA, sediada nos Estados Unidos, informou às agências Reuters e Associated Press que o número de mortos chegou a 538, sendo 490 manifestantes e 48 policiais. Segundo a entidade, mais de 10.670 pessoas teriam sido detidas.
Outras ONGs de direitos humanos que monitoram a situação no Irã também vêm relatando mortes relacionadas aos protestos. Como o país está isolado do resto do mundo após Khamenei ter interrompido o acesso à internet, não é possível saber com precisão quantas pessoas morreram.
Ainda assim, as organizações afirmam receber relatos de que forças de segurança iranianas atiraram contra os manifestantes.
“Um massacre está em curso no Irã em meio a um apagão da internet”, afirmou o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI, na sigla em inglês), ONG baseada nos Estados Unidos, que diz estar recebendo informações sobre corpos sendo amontoados em hospitais.
Já a ONG norueguesa Direitos Humanos do Irã declarou que há relatos de “assassinatos em massa” cometidos por policiais e que o número real de mortos pode chegar a até duas mil pessoas.
O governo iraniano não divulga regularmente dados oficiais sobre a atuação policial nos protestos e acusa os Estados Unidos e Israel de se infiltrarem nas manifestações, responsabilizando-os pelas mortes ocorridas.
O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que as forças de segurança “escalaram o nível de confronto contra os manifestantes”.
A Guarda Revolucionária do Irã, um dos principais atores militares do país, declarou que a proteção da segurança nacional é um ponto inegociável.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu neste domingo que a população mantenha distância do que chamou de “terroristas e badernistas” e afirmou buscar uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, acusou os Estados Unidos e Israel de “semear caos e desordem” no país.
Também neste domingo, o governo do Irã ameaçou retaliar contra Israel e contra bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso o país seja alvo de um bombardeio norte-americano. A declaração ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar intervir na crise caso o regime mate manifestantes pacíficos.
“Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, afirmou o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, segundo a Reuters.
No sábado, Trump voltou a fazer ameaças ao declarar que o Irã está “buscando a liberdade” e que os norte-americanos estão “prontos para ajudar”. A imprensa dos Estados Unidos informou que Trump avalia quais medidas adotar em relação ao país do Oriente Médio: de acordo com o The New York Times, ele foi informado por integrantes de seu governo sobre opções disponíveis para um ataque militar; já segundo o Axios, ele considera diferentes alternativas para apoiar os manifestantes iranianos.
Pezeshkian também declarou neste domingo que o governo está preparado para “ouvir seu povo” e que está determinado a resolver os problemas econômicos.
Segundo a Reuters, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, discutiu com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a possibilidade de uma intervenção no Irã durante uma conversa telefônica realizada no sábado.
Desde o início dos protestos generalizados contra o regime do aiatolá Ali Khamenei no Irã, nos últimos dias de 2025, o movimento vem se ampliando tanto em escala quanto em intensidade da violência.
Na sexta-feira (9), Khamenei afirmou que seu governo “não vai recuar” diante das manifestações, que aumentaram em proporção e violência nos últimos dias. Em um pronunciamento transmitido pela televisão estatal, o líder supremo iraniano classificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”.
Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, declarou que o Irã está “em plena guerra” e que alguns “incidentes” teriam sido “orquestrados no exterior”. O regime iraniano também acusou os Estados Unidos de incitarem os protestos.
Os EUA classificaram essas acusações como “delirantes” e afirmaram que elas refletem uma tentativa de desviar a atenção dos problemas internos enfrentados pelo regime iraniano, segundo um porta-voz do Departamento de Estado.
De acordo com a agência AFP, a repressão promovida pelo governo iraniano se intensificou neste sábado. O país não enfrentava um movimento dessa dimensão desde os protestos de 2022, que ocorreram após a morte de Mahsa Amini, detida por supostamente violar o código de vestimenta feminino.
As manifestações acontecem em um momento de fragilidade do Irã, após a guerra com Israel e os golpes sofridos por alguns de seus aliados regionais.
Além disso, em setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) restabeleceu sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano.





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