Moradores do bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, organizam um protesto no próximo sábado (10), às 9h, em frente ao terreno do antigo Colégio Bennett, na Rua Marquês de Abrantes. O ato contesta a derrubada de mais de 70 árvores no local, onde está prevista a construção de duas torres residenciais de alto padrão, e cobra a interrupção de novos cortes e a preservação da vegetação remanescente, informa Ancelm Góis, em O Globo.
A área, que até pouco tempo era marcada por intensa cobertura verde, transformou-se em um descampado de terra e concreto. Onde antes havia sombra, canto de pássaros e alívio térmico, hoje restam troncos cortados e um cenário árido, segundo relatos de moradores da região.
Área verde deu lugar a concreto e terra
Entre as árvores suprimidas está uma figueira adulta que, de acordo com os manifestantes, desempenhava há décadas um papel central na regulação do microclima local, além de contribuir para a manutenção da fauna urbana. Moradores afirmam que a árvore era um dos principais refúgios de aves e ajudava a amenizar as altas temperaturas no entorno.
Desde a retirada da vegetação, os impactos já seriam perceptíveis no dia a dia do bairro. “O calor aumentou, o ar ficou mais pesado e o silêncio tomou o lugar dos pássaros”, relatam os organizadores, que associam as mudanças à perda abrupta da cobertura verde.
Críticas à compensação ambiental
Os moradores também questionam a proposta de compensação ambiental baseada no plantio de mudas em outros pontos da cidade. Segundo eles, árvores adultas — muitas delas centenárias — não podem ser substituídas por exemplares jovens, que levam décadas para oferecer os mesmos benefícios ambientais e, em muitos casos, não têm acompanhamento adequado para garantir seu desenvolvimento.
Para o grupo, a lógica da compensação ignora a função imediata das árvores maduras na redução das ilhas de calor, na absorção de poluentes e na melhoria da qualidade de vida em áreas densamente ocupadas, como o Flamengo.
Situação se repete em outros bairros
Os organizadores afirmam que o episódio não é isolado. Em Botafogo, também na Zona Sul, uma situação semelhante ocorreu há cerca de 30 dias, igualmente associada a empreendimentos imobiliários. Para os manifestantes, o Rio de Janeiro vem perdendo cobertura vegetal de forma contínua, em decisões que priorizam interesses imediatos.
“Esse modelo aprofunda as ilhas de calor, agrava os efeitos das mudanças climáticas e reduz a qualidade de vida, especialmente em bairros já saturados”, dizem os organizadores em nota divulgada nas redes sociais.
Protesto sem viés partidário
Os moradores ressaltam que a mobilização não tem caráter partidário. O objetivo, segundo eles, é chamar a atenção para a importância do verde urbano como patrimônio coletivo e para a necessidade de frear novas perdas ambientais.
“Sabemos que as árvores cortadas não voltarão. Mas o silêncio garante que isso continue acontecendo”, afirmam os organizadores, ao convocar a população a participar do ato.






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