Protesto de passageiros paralisa o BRT e prefeito culpa sabotagem de empresários pela crise

Ao comentar as crises sofridas no sistema BRT, cujo controle foi assumido pela empresa municipal Mobi Rio, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), falou na manhã desta sexta-feira (11) que sofre sabotagem de empresários de ônibus, a quem ele diz estar enfrentando.  As declarações foram dadas em entrevista ao programa ‘Bom Dia,…

Ao comentar as crises sofridas no sistema BRT, cujo controle foi assumido pela empresa municipal Mobi Rio, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), falou na manhã desta sexta-feira (11) que sofre sabotagem de empresários de ônibus, a quem ele diz estar enfrentando. 

As declarações foram dadas em entrevista ao programa ‘Bom Dia, Rio’ da TV Globo.

Um protesto de passageiros impediu os veículos de circularem na manhã desta sexta na estação Magarça, em Guaratiba, na Zona Oeste. Os usuários desembarcaram revoltados com a precariedade do transporte por volta das 7h e ocuparam as pistas da Avenida Dom João VI, no sentido Barra da Tijuca.

Após negociação com agentes da Polícia Militar e da Guarda Municipal, os manifestantes liberaram uma faixa da via às 8h para passagem de carros, motos e caminhões. Mas bloqueiam ônibus e articulados BRT. Às 9h30, a interdição na via permanecia, provocando congestionamento. O Centro de Operações Rio sugere como caminhos alternativos a Avenida Cesário de Melo e Avenida Brasil.

O BRT informou por meio de suas redes sociais às 9h40 que os trechos entre Magarça e Mato Alto, no corredor Transoeste, está parcialmente interrompido por manifestações de populares.

O prefeito Eduardo Paes afirmou após observar as imagens do protesto que empresários do setor resistem às mudanças implementadas por sua gestão, que transferem o poder de controle do sistema dos empresários para a prefeitura.

“Outro dia, chegou aos meus ouvidos uma história de que uma grande fornecedora de ônibus, com a licitação acontecendo na próxima quarta, pode alegar que a guerra na Ucrânia pode criar um problema no preço do ônibus. Reparem na licitação da bilhetagem: por que não apareceu ninguém? Tinha três empresas na porta. É óbvio que há sabotagem – você está mexendo com interesses econômicos das empresas de ônibus, que estão aí há muito tempo”, afirmou o prefeito.

Eduardo Paes também afirmou que a prefeitura está com dificuldades de encontrar  mecânicos para reparar os ônibus porque os funcionários estão sendo contratados com preços mais vantajosos pelas empresas de ônibus que operavam o BRT, que por sua vez, se dizem sem dinheiro, o que para o prefeito representa uma contradição.

“As empresas do sistema anterior, que dizem não ter dinheiro, estão contratando mecânicos nossos. É óbvio que estou sendo sabotado. Mas o problema não sou eu. O prefeito tem carro. O problema é a população”, disse.

A dificuldade de alugar ônibus no mercado, medida que aliviaria a crise no sistema também foi citada pelo prefeito. A licitação para compra de ônibus será realizada na próxima quarta-feira. Os veículos estão previstos para chegar no segundo semestre deste ano.

“Temos dificuldades neste momento para alugar ônibus. Estamos desmontando um sistema que domina não apenas o Rio, mas o Brasil. Então, o sujeito que é sócio de uma empresa aqui é sócio de uma empresa em São Paulo, no Acre, em Salvador. Na greve que tivemos, conseguimos quase 200 ônibus para alugar. Hoje tem, no máximo, de 36 a 40 para alugar”, disse Paes.

O prefeito reconhece, que por ser um setor concentrado, o município precisa alugar veículos dos mesmos empresários a quem está enfrentando, por falta de opção.

“Se não alugarmos os ônibus desses empresários, vamos alugar de quem? O sujeito que é sócio ou dono da empresa aqui também é sócio ou dono das empresas em São Paulo. Para se ter uma ideia: tem gente que tem empresa concessionária e é dono da empresa que faz ônibus”

O prefeito pediu compreensão. Paes afirmou que reconhece que a qualidade do sistema BRT está precária, mas diz que vai resolver o problema.

“No caso dos transportes, há uma crise institucional, reputacional. Os escândalos todos recentes fizeram com que medidas judiciais fossem tomadas contra as empresas de ônibus – por exemplo, você não tem aumento de tarifas há quatro anos, proibido por decisão judicial. Por exemplo, hoje o diesel está aumentando 25%. Isso não é repassado, você tem, de fato, um gasto maior. Mesmo que os empresários de ônibus fossem a Madre Teresa de Calcutá, o que não é o caso, ainda haveria muita dificuldade. Então, vivemos uma crise profunda no modelo, institucional”, disse Eduardo Paes.

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