Os motoristas do BRT estão em greve desde a madrugada desta sexta-feira reivindicando melhores condições de trabalho, segurança e reajuste salarial. Todos os cerca de 200 veículos articulados que operam nos corredores Transolímpico, Transoeste e Transcarioca não estão circulando.
O movimento ocorre nove dias após a prefeitura ter decretado a caducidade parcial dos contratos de concessão (dia 17) assumindo em definitivo a operação do BRT pela empresa municipal Mobi.Rio até a realização de uma nova licitação para operar o sistema.
O prefeito Eduardo Paes diz que o movimento teria o apoio dos empresários de ônibus, descontentes com a perda da operação do sistema:
— Tem empresário de ônibus insatisfeito com a encampação e usando trabalhadores do BRT para reconquistar a concessão. Lamento informar que eles não serão bem sucedidos. Estamos trabalhando para restabelecer o sistema — disse Paes por intermédio de uma rede social nesta manhã.
Em entrevista ao “Bom Dia Rio”, da TV Globo, Paes pediu a compreensão da população e chegou a afirmar que o movimento seria um locaute (articulado por empresários). Por conta da paralisação, o Centro de Operações Rio decretou estágio de mobilização.
— O trabalhador carioca não merece o que está acontecendo hoje. A gente vem administrando uma situação muito difícil. Esse sistema foi destruído. Não dá para manter esses ônibus com os antigos operadores. Nós estamos licitando inclusive a operação da bilhetagem eletrônica (hoje sob o controle da Riocard, ligada aos empresários) que é uma caixa preta. O BRT é um sistema muito importante para a população — disse o prefeito ao “Bom Dia Rio”.
O porta-voz da Rio Ônibus, Paulo Valente, reagiu, afirmando que o BRT está sob operação da prefeitura há quase um ano e que por isso os empresários não podem ser responsabilizados, inicialmente pela intervenção e posteriormente pela encampação. Ele argumentou que os problemas do sistema são estruturais e a paralisação desta sexta-feira só demonstra que a prefeitura é incompentente para o gerir. Os consórcios estão na Justiça tentando uma liminar para suspender o processo de caducidade, anunciado no último dia 17.
A Rio Ônibus rebateu, por meio de nota, as críticas feitas por Eduardo Paes e afirmou que “a greve é consequência do descaso e da omissão da Prefeitura em relação ao setor de transporte por ônibus”. E completou, ressaltando “que a paralisação é uma das consequências do que a inércia e a falta de governança do poder público são capazes de fazer, deixando milhares de passageiros sem ônibus”.
A CTC a qual o representante dos rodoviários se refere é uma antiga estatal do governo do estado que operou parte da frota de ônibus da região metropolitana do Rio, em boa parte dos anos 1980. A Mobi.Rio foi uma estatal criada pela prefeitura para operar o BRT até que seja feita uma nova concessão.






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