Proposta de cessar-fogo chega aos EUA e Irã, diz Agência

Plano em duas fases é discutido com mediação internacional, mas bloqueio do Estreito de Ormuz segue como obstáculo

Os Estados Unidos e o Irã receberam um esboço de proposta para encerrar as hostilidades em curso, mas divergências centrais ainda impedem um avanço imediato nas negociações. Teerã rejeitou a reabertura do Estreito de Ormuz como parte de um cessar-fogo inicial, após ameaças do presidente Donald Trump de intensificar ataques caso não haja acordo até terça-feira (7).

O plano apresentado prevê uma solução em duas etapas: a implementação de um cessar-fogo imediato, seguida por negociações mais amplas para um acordo definitivo, com prazo estimado entre 15 e 20 dias.

Negociações envolvem atores internacionais

De acordo com fontes envolvidas nas tratativas, o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, atuou como intermediador nas conversas, mantendo contatos com o vice-presidente dos EUA JD Vance, o enviado especial Steve Witkoff e o chanceler iraniano Abbas Araqchi.

Apesar dos esforços diplomáticos, autoridades iranianas indicam que não há disposição para aceitar condições imediatas, especialmente a reabertura do estreito. Segundo fontes ouvidas por agências internacionais, Teerã também resiste a prazos definidos enquanto avalia a proposta.

Relatos apontam ainda que os Estados Unidos não teriam sinalizado compromisso com um acordo permanente, o que contribui para o impasse.

Pressão dos EUA e novos ataques

Em publicação recente, Trump elevou o tom e ameaçou novos ataques à infraestrutura energética e de transporte do Irã caso não haja avanço nas negociações. O prazo estipulado pelo presidente estadunidense foi fixado até a noite de terça-feira (7), no horário da costa leste dos EUA.

Enquanto isso, novos bombardeios foram registrados na região, mais de cinco semanas após o início da ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito já provocou milhares de mortes e impactos econômicos globais, incluindo a alta no preço do petróleo.

Em resposta às ações militares, o Irã bloqueou, na prática, o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. O país também realizou ataques contra Israel, bases estadunidenses e instalações energéticas no Golfo.

Importância estratégica do estreito

A reabertura do Estreito de Ormuz é considerada um ponto central para qualquer acordo. Autoridades regionais defendem que a livre navegação na área é essencial para a estabilidade global.

O assessor do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou que um eventual acordo precisa garantir o fluxo seguro de embarcações. Ele também alertou que, sem limites ao programa nuclear iraniano e ao uso de mísseis e drones, o risco de escalada permanece elevado.

Escalada militar e vítimas

Ataques realizados pelo Irã no fim de semana atingiram instalações petroquímicas e um navio ligado a Israel em países como Kuwait, Bahrein e os Emirados Árabes Unidos, evidenciando a capacidade de resposta do país.

A mídia estatal iraniana também confirmou a morte de Majid Khademi, em meio à sequência de ataques direcionados a lideranças do regime. Entre as baixas mais relevantes estão o líder supremo Ali Khamenei, sucedido por seu filho Mojtaba Khamenei.

Em Israel, equipes de resgate retiraram corpos dos escombros de um prédio residencial atingido por um míssil na cidade de Haifa.

Desde o início da guerra, cerca de 3.540 pessoas morreram no Irã, incluindo ao menos 244 crianças, segundo dados do grupo de direitos humanos HRANA. No Líbano, os confrontos deixaram 1.461 mortos, entre eles pelo menos 124 crianças.

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