Projeto que proíbe casamento gay teve votação adiada depois de discussões e protestos (Veja a deputada Erika Hilton discursando)

Um novo texto será elaborado sobre a união civil entre homossexuais, conhecido como casamento gay, depois do adiamento da tramitação do projeto. A decisão foi tomada hoje durante sessão conturbada da Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados. A proposta de casamento gay dividiu em dois grupos os 18…

Um novo texto será elaborado sobre a união civil entre homossexuais, conhecido como casamento gay, depois do adiamento da tramitação do projeto. A decisão foi tomada hoje durante sessão conturbada da Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados.

A proposta de casamento gay dividiu em dois grupos os 18 de deputados da comissão. Os governistas são favoráveis à união homoafetiva. Os opositores, boa parte da bancada evangélica, são contrários.

Antes de a sessão começar, os governistas costuraram um acordo com o presidente da comissão, deputado Fernando Rodolfo (PL-PE). Ficou acertado que o tema seria debatido no dia de hoje e na sequência seria criado um grupo de trabalho para escrever um novo texto.

O relator, Pastor Eurico (PL-PE), vai trabalhar em conjunto com dois deputados evangélicos e dois alinhados com a causa LGBTQIA+. Eles ficarão encarregados de elaborar o novo texto. A previsão é votar em 10 de outubro, mas o prazo pode ser prorrogado.

Não existe garantia de que a proibição do casamento gay será retirada do projeto, mas haverá negociações neste sentido. A palavra final do texto será do relator.

Deve ser feita a supressão de trechos afirmando que a união homoafetiva vai contra a natureza e a Constituição. A mudança no texto foi comemorada pelos movimentos sociais LBTQIA+ e houve um abraço coletivo. Um dos principais articuladores do adiamento, o deputado Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) foi bastante cumprimentado e ficou emocionado.

No começo da sessão, deputados governistas leram um voto contra a proibição do casamento gay. Ele serviu somente para marcar posição política e não foi avaliado pela comissão.

Na sequência, houve uma longa sessão de discursos, quando 10 deputados contra e 10 deputados a favor da união homoafetiva puderam falar. Eles fizeram discursos para suas bolhas, abastecidas por trechos cortados imediatamente para serem postados nas redes sociais.

Houve provocações e xingamentos de ambos os lados. O deputado delegado Éder Mauro (PL-PA) chamou pessoas LGBTQIA+ de canalhas e escória. A deputada Erika Hilton (Psol-SP) classificou os deputados evangélicos como “falsos profetas” e acusou os parlamentares de usarem a religião para obter cargos políticos.

O início da sessão para analisar o projeto atrasou uma hora e meia porque foi proibida a entrada de integrantes do movimento LGBTQIA+. A justificativa para o impedimento era recomendação da Polícia Legislativa para manter a segurança.

Sem poder entrar, os membros de grupos sociais ficaram no corredor que levava à comissão gritando para terem acesso. Eles também pressionavam os deputados que passavam pedindo apoio para a manutenção sua reivindicação.

Parlamentares contrários ao casamento gay escutavam o coro de fascistas. Quem era favorável recebia aplausos. A polêmica durou mais de uma hora, quando foi decidida a transferência da sessão para uma sala maior e que comportava 150 pessoas.

O tema foi inicialmente tratado pelo ex-deputado Clodovil Hernandes e autorizava a união homoafetiva. Ele morreu em 2009 e não viu a votação do projeto.

O assunto perdeu espaço porque em 2011 o STF reconheceu a legalidade do casamento gay. Desde então, entendia-se que o tema estava decidido.

Com informações do Uol.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading