Professores e servidores de universidades federais aceitam condições do governo e encerram greve de 60 dias

Cada universidade decidirá como recompor as aulas. Essas decisões são tomadas pelo conselho universitário, órgão máximo de deliberação dessas instituições

Representantes dos sindicatos de professores e técnicos administrativos assinaram, nesta quinta-feira (27), um acordo com o governo encerrando a greve de todas as categorias na Educação. Até ontem à noite ainda havia um impasse em relação aos técnicos, que foi resolvido ao longo do dia, levando também à sua assinatura do acordo.

A Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes-SN), o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e o Sindicato de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) já assinaram o termo. Agora, cada universidade decidirá como recompor as aulas não ministradas durante a greve. Essas decisões são tomadas pelo conselho universitário, o órgão máximo de deliberação dessas instituições, composto por representantes da reitoria, professores, funcionários e alunos.

A Universidade Federal de Minas Gerais, por exemplo, decidiu suspender o calendário. Isso significa que mesmo as aulas dadas durante a greve serão repostas e os prazos de conclusão do semestre foram ampliados. Com isso, mesmo sendo a primeira instituição a retomar as aulas, a universidade só conseguirá concluir o segundo semestre de 2024 em fevereiro de 2025, prejudicando estudantes formandos que já estavam se planejando para o mestrado ou iniciar a vida profissional.

Após 60 dias de paralisação dos professores e 90 dos técnicos, a greve termina depois de o governo propor aumentos salariais para 2025 e 2026, revogar portarias da gestão Bolsonaro e, no caso dos técnicos, adotar medidas que aceleram o tempo para um servidor alcançar o topo da carreira.

Depois de várias universidades decidirem suspender a greve por conta própria, as entidades optaram por encerrar de forma unificada as paralisações, que duraram mais de dois meses. O movimento envolveu universidades e institutos federais.

A Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes-SN) anunciou no fim da noite do último domingo a definição de que assinaria o acordo proposto pelo governo. O intervalo estipulado pela associação para as universidades retomarem as atividades é entre o dia da assinatura e 3 de julho.

Já o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), que abarca os técnicos administrativos e docentes de institutos federais, também realizou votação interna e decidiu concordar com o cardápio de sugestões do governo. Essa decisão é acompanhada pelo sindicato dos profissionais do Colégio Pedro II, que volta às atividades em 1 de julho.

Já a Fasubra tomou a decisão de assinar o acordo apena na tarde desta quinta-feira. O grupo esperava receber a minuta do documento com mudanças que pediu, o que só aconteceu de manhã.

Das 57 universidades vinculadas à Andes-SN que aderiram à greve, ao menos 30 já haviam sinalizado um caminho para encerrá-la. Até sexta-feira passada, 12 delas tinham voltado às aulas ou estipulado uma data para o retorno. O movimento era um indicativo do desejo da classe de aceitar as propostas do governo.

A categoria pedia reajuste de 3,69% em agosto de 2024, correspondendo ao índice acumulado do IPCA ao longo de 12 meses até abril de 2024, 9% em janeiro de 2025 e 5,16% em maio 2026.

O governo, por sua vez, avalia que a negociação salarial foi resolvida por meio da assinatura de um acordo com o Sindicato de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), em maio. As conversas, então, estariam abertas apenas para pautas não-salariais.

Para encerrar a greve dos técnicos administrativos, o governo sugeriu uma tabela de reajuste a partir do ano que vem, além de aspectos sensíveis à categoria, como a progressão na carreira por Reconhecimento de Saberes e Competências. Do ponto de vista salarial, os aumentos seriam de 9% em 2025 e de 5% em 2026. Sem, portanto, reajustes imediatos em 2024.

No auge da greve, os técnicos chegaram a interromper os serviços em quase cem unidades. Sem eles, bandejões e funções administrativas, por exemplo, ficaram suspensas em universidades e institutos.

Com informações de O Globo.  

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading