‘Professor, professor’: para se proteger em tiroteio na Vila Aliança, mulher desesperada exibe cartaz; vídeo

Cena de motorista exibindo folha A4 com a palavra repetida duas vezes simboliza rotina de terror vivida por moradores de comunidades

Um simples pedaço de papel transformou-se em símbolo do medo vivido pelos moradores da Vila Aliança, Zona Oeste do Rio, durante mais uma operação policial marcada por mortes e troca de tiros. Em imagens divulgadas pelo SBT, uma motorista atravessa a comunidade exibindo um cartaz improvisado, no qual imprimiu em letras garrafais a palavra “professor” repetida duas vezes.

O gesto, carregado de desespero, foi a estratégia encontrada para tentar evitar ser confundida com criminosos e alvejada em meio ao fogo cruzado.

A cena ocorreu nesta quinta-feira (4), quando as polícias Civil e Militar realizavam uma operação contra chefes do Terceiro Comando Puro (TCP). O saldo da ação incluiu oito mortos, dois presos e armas apreendidas.

Nas redes sociais, moradores relataram pânico generalizado, com crianças de escolas municipais próximas obrigadas a se deitar no chão das salas ou encostar-se às paredes para se proteger. A Secretaria Municipal de Educação informou que algumas unidades sequer conseguiram liberar os alunos porque a operação começou após o horário de entrada.

Enquanto a polícia descreve a operação como estratégica contra lideranças criminosas, a cena do cartaz “professor, professor” expõe outro lado da história: o de moradores comuns que precisam inventar maneiras de mostrar quem são para não serem confundidos com alvos, em mais um dia em que o medo dita as regras na cidade.

O tiroteio afetou a circulação de trens na região. Pela manhã, as composições do ramal Santa Cruz circularam apenas no trecho entre as estações Central do Brasil e Bangu, e entre Campo Grande e Santa Cruz.

No fim da tarde, voltou a operar da Central do Brasil a Bangu, e entre Campo Grande e Santa Cruz. Na última atualização, a Supervia informou, por volta das 19h, que a circulação entre Santa Cruz e Deodoro já estava em processo de normalização. Os trens paradores seguirão até os terminais com intervalo médio de 20 minutos, segundo a concessionária.

Dez unidades de saúde e seis escolas foram afetadas em decorrência dos tiroteios.

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