Prisão de Salvino: quiosques da Gardênia Azul entram no centro da investigação sobre ligação com o CV; vídeos

Area comercial construída pela prefeitura em Jacarepaguá já foi palco de disputas políticas, denúncias e investigações envolvendo parlamentares e suspeitas de influência do crime organizado

A prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), nesta quarta-feira (11), trouxe novamente ao centro do debate político do Rio de Janeiro uma área que há anos gera controvérsia: o conjunto de quiosques comerciais instalado no calçadão da Gardênia Azul, em Jacarepaguá.

Os estabelecimentos foram construídos pela prefeitura em 2023 como parte de um projeto de requalificação urbana. No entanto, desde a inauguração, o espaço passou a ser alvo de disputas políticas, denúncias e questionamentos sobre a forma de distribuição dos pontos comerciais.

A primeira grande polêmica ocorreu ainda no lançamento dos 50 primeiros quiosques. Na ocasião, houve um embate público entre a então subprefeita de Jacarepaguá, Talita Galhardo — hoje vereadora pelo PSDB — e o vereador Marcelo Diniz (PSD). Diniz acusava a prefeitura de distribuir os espaços sem critérios claros. Talita afirmou que as regras haviam sido definidas pela Secretaria de Ordem Pública.

Durante o episódio, o prefeito Eduardo Paes (PSD) interrompeu a subprefeita durante o debate e fez uma repreensão pública que acabou viralizando nas redes sociais. Poucos dias depois, Talita pediu demissão do cargo. No ano seguinte, Paes publicou uma mensagem nas redes sociais pedindo desculpas pela forma como conduziu o episódio.

Denúncias e investigação policial

Os quiosques também apareceram em outra investigação que ganhou repercussão na política fluminense. Em 2025, os 100 estabelecimentos localizados na Avenida Isabel Domingues foram interditados repentinamente por ordem de uma associação de moradores da região.

Segundo relatos ouvidos pela Polícia Civil na época, a interdição teria sido determinada de forma informal pelo então deputado estadual TH Joias. O parlamentar teria assumido a direção da associação e exigido documentos dos comerciantes sob a justificativa de realizar uma suposta regularização.

Meses depois, TH Joias foi preso sob acusações de ligação com o Comando Vermelho, além de suspeitas de tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e fornecimento de armas à facção criminosa.

Suspeita envolvendo campanha eleitoral

Agora, os mesmos quiosques aparecem na investigação que levou à prisão de Salvino Oliveira. De acordo com a polícia, o vereador é suspeito de ter autorizado que pessoas indicadas por integrantes do Comando Vermelho assumissem alguns dos estabelecimentos.

Em troca, segundo a investigação, ele teria obtido autorização para fazer campanha eleitoral na região, considerada área de influência da facção criminosa.

A acusação surpreendeu integrantes da administração municipal. Servidores e secretários da prefeitura afirmaram não ter conhecimento de qualquer negociação envolvendo o parlamentar e os quiosques. Um integrante do primeiro escalão chegou a afirmar que a área não estaria diretamente vinculada à atuação política de Salvino, sendo associada mais frequentemente ao vereador Marcelo Diniz.

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