A primeira noite do ex-presidente Jair Bolsonaro no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, foi marcada por um quadro de mal-estar físico leve, vigilância reforçada e o início de uma nova rotina carcerária em instalações consideradas mais amplas do que aquelas da carceragem da Polícia Federal. As informações foram divulgadas pela coluna da jornalista Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles.
Bolsonaro deixou a Superintendência da Polícia Federal, na noite de quinta-feira (15), apresentando soluços, situação que voltou a se repetir horas depois, já na nova cela. O episódio foi avaliado pela equipe médica como “dentro da normalidade” e não exigiu remoção hospitalar. Apesar do desconforto, o ex-presidente permaneceu estável, tranquilo e chegou a cumprimentar policiais militares que estavam de plantão.
Bolsonaro foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela execução da pena. Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma trama golpista para se manter no poder, o ex-mandatário passou a cumprir a pena em regime fechado, em cela separada de outros presos do local, como o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques.
Estrutura ampliada e justificativa da transferência
Na decisão, Alexandre de Moraes destacou que a transferência se deu pela necessidade de atender às demandas médicas apresentadas pela defesa do ex-presidente. A nova Sala de Estado-Maior tem cerca de 65 metros quadrados e conta com quarto, banheiro privativo com água quente, sala, cozinha, lavanderia e uma área externa exclusiva para banho de sol e exercícios físicos.
O espaço permite circulação mais livre em área isolada e a instalação de equipamentos de fisioterapia, como esteira e bicicleta, recomendados pelos médicos que acompanham Bolsonaro. Antes disso, ele permanecia na carceragem da Polícia Federal, em Brasília, onde ocupava uma cela individual de cerca de 12 metros quadrados, equipada com banheiro privativo, ar-condicionado, televisão, frigobar e acompanhamento médico permanente.
Moraes fez questão de registrar que as condições anteriores já eram “extremamente favoráveis” em comparação à realidade do sistema prisional brasileiro. O ministro também rebateu críticas públicas feitas por filhos, aliados e parlamentares do ex-presidente, que classificaram a carceragem da PF como inadequada. Segundo ele, houve uma “tentativa sistemática de deslegitimar o regular cumprimento da pena”, ignorando os privilégios concedidos em razão do cargo anteriormente ocupado pelo condenado.
Atendimento médico, alimentação e restrições
Entre os pedidos apresentados pela defesa, o ministro autorizou atendimento médico integral, com plantão 24 horas, deslocamento imediato para hospitais em caso de urgência, sessões de fisioterapia nos horários indicados pelos médicos, assistência religiosa semanal e participação em programa de remição de pena por leitura.
Também foi permitida a entrega diária de alimentação especial preparada fora do presídio, desde que respeitadas as regras de segurança. A defesa deverá indicar, em até 24 horas, o responsável pelas refeições. Além disso, Bolsonaro continuará recebendo as cinco refeições diárias oferecidas pela unidade prisional.
Por outro lado, Moraes vetou o acesso a smart TV com internet, argumentando que o equipamento poderia facilitar comunicação indevida com o exterior. Foi mantido, no entanto, o direito a uma televisão comum, com acesso a canais abertos de notícias.
A decisão sobre a alimentação levou em conta a desconfiança manifestada pelo próprio ex-presidente em relação à origem dos alimentos fornecidos pelo Estado, argumento citado por familiares em entrevistas e rebatido diretamente pelo ministro no despacho judicial.
Mobilização da rede de saúde do DF
A preocupação com a saúde de Bolsonaro também mobilizou a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Conforme revelou a coluna Grande Angular, do Metrópoles, após a autorização de atendimento médico integral, a pasta precisou montar uma escala especial de profissionais. Em mensagens enviadas por WhatsApp a médicos da rede pública, a secretaria solicitou apoio para plantões noturnos durante a semana e cobertura diurna e noturna aos fins de semana.
Embora a Papudinha já conte com equipe de saúde própria, o atendimento regular ocorre apenas durante o dia e em dias úteis, o que motivou o reforço emergencial.
Apesar do mal-estar registrado na primeira noite e do pedido de avaliação médica ainda na Polícia Federal, Bolsonaro não precisou ser levado a um hospital. Ele deve ser reavaliado por seus médicos pessoais nesta sexta-feira (16) e, por determinação judicial, também será submetido a uma junta médica oficial da Polícia Federal, que analisará a necessidade de novas adaptações no local ou eventual transferência para um hospital penitenciário.






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