Prévia da arrecadação federal de janeiro indica alta de 6% com entrada de recursos da tributação dos super-ricos

Arrecadação do Imposto de Renda sobre rendimento de capital registrou uma alta de 25%. Esse item reflete o ingresso de receitas extraordinárias com a mudança na tributação dos fundos exclusivos.

Prévia da arrecadação do governo em janeiro indica um crescimento real (acima da inflação) em torno de 6%, com a entrada de R$ 280 bilhões nos cofres federais, de acordo com dados do portal Siga Brasil.

O desempenho das receitas no primeiro mês do ano ganhou atenção dos analistas econômicos após o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, revelar em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que o resultado estava acima do esperado e que o bloqueio de despesas poderia ser zero na primeira avaliação do Orçamento deste ano.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também afirmou depois que o resultado tinha surpreendido positivamente a sua equipe.

Dados do Siga Brasil analisados pelo economista da área fiscal da XP Investimentos Tiago Sbardelotto apontam que a arrecadação de R$ 280,3 bilhões de janeiro ficou R$ 10 bilhões acima do previsto no Orçamento de 2024, aprovado pelo Congresso no final de dezembro.

O Siga Brasil é um sistema de informações sobre Orçamento federal, mantido pela Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle (Conorf) e pelo Prodasen (área de tecnologia) do Senado, que facilita o acesso ao Siaf (Sistema Integrado de Administração Financeira) do governo.

O Siga reúne em um só lugar todas as informações orçamentárias dos Poderes Executivo e Legislativo.

A principal surpresa positiva da arrecadação é a entrada em janeiro de recursos com a tributação dos fundos exclusivos de investimento dos super-ricos. “É animador e bem significativo o crescimento real de 6% da arrecadação”, disse Sbardelotto.

Segundo ele, a arrecadação do Imposto de Renda sobre rendimento de capital registrou uma alta de 25%. É esse item que reflete o ingresso de receitas extraordinárias com a mudança na tributação dos fundos exclusivos.

Chamou também a atenção do analista da XP o bom desempenho da arrecadação do IR sobre o rendimento do trabalho e da contribuição previdenciária, o que pode indicar um comportamento mais forte do mercado de trabalho. A arrecadação para a Previdência teve um crescimento real de 6,5%.

Segundo o analista da XP, a prévia da arrecadação observada pelos dados do Siga Brasil tem mostrado sempre um resultado próximo do divulgado depois pela Receita Federal, com diferença apenas “na casa dos milhões”.

Sbardelotto identificou também um comportamento favorável da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) que pode ou não estar associado a um movimento sazonal de antecipação do pagamento do ajuste anual que as empresas têm de fazer até março.

Para ele, é cedo ainda para avaliar se os bons resultados vão continuar nos próximos meses para sustentar um contingenciamento menor de despesas ou até mesmo zero, como sinalizou o secretário do Tesouro.

O analista da XP destaca que a arrecadação do PIS/Cofins está menor do que o governo esperava. “Precisamos de mais algumas leituras até ter de fato a confirmação que esse nível da arrecadação [total] vai se manter”, afirma.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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