A cantora Preta Gil, que morreu neste domingo (20) aos 50 anos em Nova York, deixou registrado o desejo de uma despedida marcante e fiel à sua personalidade vibrante: ser velada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e levada em cortejo sobre um trio elétrico. A informação foi publicada pelo g1 nesta segunda-feira (21).
Segundo a família, o corpo de Preta ainda não tem data confirmada para chegar ao Brasil, mas a expectativa é que o translado ocorra a partir de quarta-feira (23), devido a questões burocráticas. Enquanto os trâmites são resolvidos, os parentes da artista organizam uma cerimônia à altura da sua trajetória marcada por música, festa e luta.
Filha de Gilberto Gil, afilhada de Gal Costa e sobrinha de Caetano Veloso, Preta iniciou sua carreira na música aos 29 anos, após abandonar a publicidade. O álbum de estreia, “Prêt-à-Porter”, teve como destaque a canção “Sinais de Fogo” e gerou polêmica pela capa com nudez da cantora. Daí em diante, Preta se consolidou como uma das vozes mais expressivas da música popular brasileira, misturando ritmos e quebrando barreiras.
Um dos marcos de sua carreira foi o “Bloco da Preta”, criado em 2010 e que, em 2017, reuniu mais de 500 mil foliões no Centro do Rio. O amor pelo carnaval e pelas manifestações populares esteve presente até em seu desejo de partida, com o cortejo em trio elétrico como símbolo de sua essência festeira e agregadora.
Além da música, Preta Gil também teve passagens pela televisão, com programas como “Vai e Vem” e participações em novelas e séries. Na vida empresarial, foi uma das fundadoras da agência Mynd, responsável por gerenciar a imagem de grandes nomes da música e do entretenimento.
Preta deixa um legado artístico amplo, marcado pela coragem, autenticidade e irreverência. Viúva, mãe de Francisco Gil e avó de Sol de Maria, a artista enfrentava desde 2023 um câncer no intestino, que se espalhou para outras regiões do corpo, mesmo após cirurgia e tratamentos no Brasil e nos Estados Unidos.
O Governo do Estado do Rio e a Prefeitura decretaram luto oficial de três dias. Agora, fãs e amigos aguardam a confirmação da cerimônia para prestar a última homenagem à artista que transformou a dor em festa — e a festa em símbolo de resistência.
LEIA MAIS






Deixe um comentário